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Fla e São Paulo são os únicos grandes nunca rebaixados; ninguém está imune

Até a última rodada do emocionante Campeonato Brasileiro de 2023, que foi jogada nessa quarta-feira (6), só havia três dos grandes clubes brasileiros que nunca tinham sido rebaixados para a série B, mas agora só sobraram dois.

O Flamengo passou anos flertando com o rebaixamento, com dívidas enormes, exageros em contratações caríssimas que não deram certo, mas muitas vezes o time era ruim mesmo. Só que a nação rubro-negra jamais virou as costas para o seu Mengão e nunca virará porque não é o perfil do flamenguista. Muito pelo contrário, lota o Maracanã quase sempre, mas cobra e cobra muito.

Essa fase desastrosa começou a ser consertada com a ótima gestão do presidente Bandeira de Mello, que organizou todas as finanças para depois, com os arrogantes Rodolfo Landim e seu "fiel escudeiro" Marcos Braz, acertarem tudo em 2019 com a chegada de Jorge Jesus e com contratações precisas. Conseguiram, de vez, virar a chave do clube da Gávea. Vieram diversos títulos da Libertadores, Brasileiros, Copa do Brasil, tudo isso de 2019 até 2022, mas como a soberba dessa dupla é imensa, o ano de 2023 foi o pior da história, perdendo todos os títulos, campeonatos e torneios que disputaram. Mas aquela coisa de rebaixamento, se ninguém levar dinheiro do clube, nunca mais acontecerá. O Flamengo é time de topo de tabela e não mais da rebarba.

O outro clube muito vitorioso na sua história, que ficou anos sem ganhar um título e em alguns campeonatos flertou seriamente com a série B, é o São Paulo Futebol Clube. Com enormes dívidas, péssimas administrações e contratações equivocadas, nesses anos todos teve muitas vezes times ruins. No começo do ano de 2023, parecia que seria outro ano daqueles em que os torcedores puxariam os cabelos.

Se ensaiou lá no Paulista que seria mais um ano de sofrimento quando foi eliminado pelo Água Santa. Alguma coisa precisava ser feita, e nisso a gestão do Julio Casares acertou: trocou o Rogério Ceni pelo Dorival Jr, que estava dando sopa desde o final de 2022 — a dupla dinâmica que dirige o Flamengo resolveu mandá-lo embora, mesmo tendo vencido a Copa do Brasil e a Libertadores.

Bom, o Dorival chegou no Morumbi e começou a organizar o time, definindo aos poucos a equipe titular, porque estava com sede de vitória, principalmente na Copa do Brasil, que seria inédita para o Tricolor. Caminhou bem na Sul-Americana, mas estava oscilando muito no Brasileiro. Nunca ficou verdadeiramente ameaçado, mas ficou o tempo todo por ali. Em compensação, vinha se impondo no torneio mais esperado. O Dorival Jr e seu time fizeram algo extraordinário para vencer a Copa do Brasil, que foi eliminar o rival Palmeiras, ganhando no Allianz Parque nas quartas de final. Depois, tirou fora o Corinthians, que foi atropelado no Morumbi, para finalizar com muito prazer e êxtase. Ganhou simplesmente do Flamengo na final. Para o Dorival Jr, foi como se ele fosse aquele personagem do genial Chico Anísio, o Bento Carneiro, o vampiro brasileiro que tinha um bordão assim: "Minha vingança será malígrina", e foi mesmo. Depois disso, o ano acabou para o São Paulo.

Mas teve uma jogada de mestre da diretoria nesse meio que foi a mudança de astral do time. A chegada de Lucas Moura chacoalhou o ambiente tricolor, e ele, no campo, fez o time subir vários degraus na qualidade e na intensidade. Com isso, o título inédito chegou. Mas o São Paulo ainda está longe de virar a chave, porque as dívidas continuam enormes. Precisa entrar no vácuo desse título e iniciar uma volta aos melhores momentos da sua história.

Nesse ano, vários times grandes, históricos, ficaram batendo à porta do rebaixamento. Corinthians, Internacional, Cruzeiro, Vasco, Bahia precisam se mexer rapidamente para não entrarem nesse looping e se acostumarem a lutar da metade da tabela para baixo.

Para finalizar, só Flamengo e São Paulo dos times brasileiros campeões mundiais não foram rebaixados, mas o campeonato mostra que ninguém está totalmente imune.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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