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O estranho caso do jogador brasileiro que não evolui

Deyverson reclama após ser atingido por um isqueiro na partida entre Getafe e Ajax - Quality Sport Images/Getty Images
Deyverson reclama após ser atingido por um isqueiro na partida entre Getafe e Ajax Imagem: Quality Sport Images/Getty Images
Bolívia Zica

Jornalista de formação, amante do futebol por paixão e corneteiro por vocação. Apresentador do canal Desimpedidos. Comanda o Bolívia Talk Show.

Colunista do UOL

20/02/2020 20h42

O futebol é cada vez mais dinâmico. Se você achar que tudo o que você aprendeu um dia vai valer eternamente, fica para trás rapidinho. Serve para todo mundo: jogadores, treinadores, imprensa e até torcedores.

E se existe uma coisa completamente demodê no futebol atual, é a tal da valorizada. Forjada na América do Sul e aprimorada no Brasil, a técnica de exagerar na reação a uma falta ou agressão foi ficando tão antiquada que, quando ainda acontece, a cena chega a dar vergonha alheia.

Neymar virou piada na última Copa do Mundo pelas simulações, roladas infinitas no campo, caras e bocas para dores inexistentes. O episódio deveria servir como aviso e representar o sepultamento de um recurso da velha escola da malandragem, item dos mais importantes no antigo manual do futebol maroto, que diz: o jogador deve estar atento a toda e qualquer chance de ludibriar a arbitragem para seu time levar vantagem em tudo. Certo? Errado.

Hoje em dia, atitudes como a de Deyverson no último jogo do Getafe só queimam o filme. Atiraram um isqueiro que acertou as costas do ex-palmeirense, mas parecia que um guerreiro medieval tinha lançado uma machadinha que atravessou o corpo do pobre jogador. Era só pegar o isqueiro, levar até o juiz e mostrar que o atingiu. Tem imagens. Estaria na súmula. Todo o teatro não leva a lugar nenhum, a não ser o do constrangimento e o da má fama dos jogadores brasileiros.

Para Deyverson, um bom exemplar da espécie que não evolui, e tantos outros, a mania ainda é mais forte do que sua capacidade de percepção. Um costume enraizado que vem das antigas peladas de rua, da várzea, da base dos clubes. Sobretudo, da cultura geral de um povo, que sempre levou a falsa malandragem como estilo de vida.

Por décadas ouvimos que o mundo é dos espertos, mas não pensamos no principal: o que é ser esperto mesmo? Para mim, uma boa demonstração de esperteza seria se dar conta de que esse tipo de coisa não cola mais e acaba tirando o foco do principal, que é jogar bola.

Bolívia Zica