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SP e Santos colocam família de Raí e Sócrates pela 1ª vez em lados opostos

No clássico deste domingo, Raí e o sobrinho Gustavo promovem o primeiro duelo na história da família - Rubens Chiri/Divulgação/Divulgação/SantosFC
No clássico deste domingo, Raí e o sobrinho Gustavo promovem o primeiro duelo na história da família Imagem: Rubens Chiri/Divulgação/Divulgação/SantosFC

José Eduardo Martins e Samir Carvalho

Do UOL, em São Paulo e Santos

18/02/2018 04h00

Em Ribeirão Preto, em 1973, Sócrates começou a escrever os primeiros capítulos da história de uma das famílias mais importantes do futebol brasileiro. De lá para cá, entre outros feitos, um integrante do clã Vieira de Oliveira participou de maneira decisiva da lendária seleção de 1982, da Democracia Corintiana, dos títulos da Libertadores e do Mundial do São Paulo de 92 e 93, da conquista da Copa do Mundo de 94, da tentativa de implantar um novo modelo de gestão no esporte e do trabalho no terceiro setor. Mas pela primeira vez após 45 anos, no clássico entre São Paulo e Santos deste domingo, às 17h, no Morumbi, dois representantes dessa linhagem estarão em lados opostos.

Ídolo tricolor, Raí é o responsável por comandar o departamento de futebol do clube da capital. Como rival, terá o sobrinho e filho de Sócrates, Gustavo Vieira de Oliveira - diretor executivo do alvinegro praiano. "Para a gente é muito legal pelo que os dois representam, pelo trabalho que fazem, pelo sucesso deles... É uma situação diferente. Temos orgulho dos dois, vamos curtir e depois encher quem perder", brincou Sócrates Júnior, o irmão de Gustavo, que trabalha como coordenador e consultor de projetos sociais.

"Finalmente temos duas pessoas do meio do futebol para ocupar estes cargos chave em grandes clubes. É motivo de orgulho. O Raí, que nunca se dispôs a exercer uma função diretiva, aceitou agora, que se preparou para isso. E o Gustavo se formou em direito na [Faculdade do Largo de] São Francisco [da USP], trabalhou no direito esportivo e fez uma carreira diferente. Além disso, é um caso raro de quem trabalhou em dois grandes clubes. É sensacional. A família envolvida nisso, sendo que sempre destacou-se a nossa formação diferente, digamos intelectualizada, e esse trabalho dos dois agora comprova que ainda podemos contribuir de alguma maneira", destacou Sóstenes, irmão de Sócrates e Raí.

A rivalidade entre os dois clubes não afasta os parentes. Raí e Gustavo ainda mantêm o bom relacionamento e conversam sempre que possível. É claro que os dois vão se abraçar e bater um papo antes do jogo. Porém, quando a bola rolar, será cada um por si na torcida por suas equipes. No restante da família, também não há uma preferência por apenas um clube.

"Sou sou corintiano, então fico neutro, vou ver o que acontece, não tomo partido dos dois. Vai ser um jogo bacana, não tenho preferência. Na família, é uma mistura, não tem muita lógica. Tem corintiano, são-paulino, santista... A família vai junto com a ocasião", disse Sócrates Júnior. "O Botafogo (de Ribeirão Preto) é o único ponto de honra da família. Eu sou são-paulino. Vou torcer no dia a dia para o Gustavo ter sucesso, mas no jogo vou torcer para o São Paulo. Depois, o Gustavo pode ter um trabalho legal", completou Sóstenes, que trabalha na Fundação Gol de Letra.

Sócrates - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Sóstenes, com a camisa do Palmeiras, e Sócrates, com o uniforme santista
Imagem: Arquivo pessoal
Aliás, nem todo mundo sabe, mas a primeira paixão de Sócrates no futebol não foi pelo Corinthians. O Doutor, como era conhecido o habilidoso meio campista que completaria 65 anos nesta segunda-feira, era santista. "Ele era fã do Pelé e santista, e eu palmeirense, porque competíamos na infância", lembra-se Sóstenes.

Entre 1988 e 1989, já na reta final da carreira, o Magrão defendeu as cores do Santos. Na época até teve a oportunidade de enfrentar o irmão Raí, que era um novato no São Paulo. Porém, Sócrates estava lesionado e não pôde jogar. Muitos chegaram a cogitar a hipótese de que ele não quis acelerar a recuperação física para não enfrentar o caçula. Morto em 2011, o Doutor nunca tirou esclareceu o caso. "Eu não acredito nisso. Ele ia fazer questão de jogar para fazer onda, até porque o Raí era moleque", brincou Sóstenes. 

Exemplo e personalidades parecidas

Não é só fisicamente que Raí e Gustavo têm semelhanças. Os dois são muito centrados em suas decisões e prezam pela discrição. A trajetória de Raí é bem conhecida de quase todo o público. Antes conhecido como irmão de Sócrates, ele se firmou como um dos nomes mais importantes do São Paulo. Sempre disciplinado e exemplo de boa conduta, ganhou títulos, foi para o Paris Saint-Germain e também chegou à seleção.

Mesmo com a fama, Raí nunca deixou de lado as raízes e família. O convívio com Gustavo passou a ser mais frequente na segunda passagem do ex-jogador pelo São Paulo, a partir de 1998. A influência dele na vida do sobrinho aumentou e, de certa maneira, o camisa 10 do São Paulo passou a ser mais um bom exemplo a ser seguido.

Gustavo até tentou repetir os feitos dos parentes que jogaram profissionalmente e chegou a atuar na base da Portuguesa. Porém, com dificuldade para conciliar a rotina na faculdade de direito com os treinos, ele fez a escolha pelos estudos. Mas o futebol não deixou de existir em sua vida. Representou o Brasil em competições universitárias e trabalhou com direito esportivo, até chegar a ser diretor do São Paulo, em 2013.

"O Sócrates não pegou essa fase do Gustavo diretor. Mas se existir mesmo um lugar onde para ele ver isso, esse jogo entre os dois no domingo, ele vai achar um grande barato", disse Sóstenes.

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