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Conmebol define data de final da Libertadores e jogo pode ser no Qatar

JORGE ADORNO/REUTERS
Imagem: JORGE ADORNO/REUTERS

Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

27/11/2018 13h34

A Conmebol definiu nesta terça-feira (27) a data do segundo jogo das finais da Copa Libertadores da América de 2018 entre River Plate e Boca Juniors. De acordo com a entidade máxima do futebol sul-americano, os dois times se enfrentarão no fim de semana dos dias 8 e 9 de dezembro.

Horário e local do jogo não foram definidos – o que, segundo comunicado da própria Conmebol, será apontado com "a maior brevidade". O UOL apurou, no entanto, que a cidade de Doha, no Catar, surge como principal favorita para receber o clássico e o anúncio ocorrerá até o final desta quarta-feira (28). Em entrevista coletiva, o presidente da Confederação, Alejandro Domínguez, confirmou que a partida acontecerá fora da Argentina.

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Segundo o comunicado assinado por Domínguez, “a Conmebol se responsabilizará pelos gastos de viagem, hospedagem, alimentação e translado interno de até 40 pessoas por delegação”.

Comunicado da Conmebol - Divulgação - Divulgação
Conmebol se compromete a pagar "pelos gastos de viagem, hospedagem, alimentação e translado interno de até 40 pessoas por delegação" dos dois finalistas
Imagem: Divulgação

A decisão foi tomada em reunião da entidade, em Luque (Paraguai). No jogo de ida, realizado no estádio de La Bombonera com mando do Boca Juniors, os dois times empataram por 2 a 2.

Com a confirmação, a partida de volta acontecerá longe do Monumental de Núñez, estádio do River Plate, devido a garantias de segurança. Para preservar o princípio da igualdade de disputa, já que o Boca atuou em La Bombonera na ida, a organização da Libertadores inicialmente descartava a final em outro país e teria como prioridade manter o confronto no Monumental.

Entretanto, sem a garantia das autoridades argentinas de que incidentes de violência não irão se repetir na nova data, a Conmebol decidiu mandar a partida para outro país. Cidades como Chapecó, Belo Horizonte e Gênova (Itália) chegaram a se oferecer para receber o superclássico que decide o principal torneio continental da América do Sul em 2018.

De acordo com apuração do UOL Esporte, no entanto, as cidades de Assunção (Paraguai) e Doha disputaram a preferência da confederação sul-americana, com a capital do Catar levando vantagem na briga. A americana Miami corre por fora.

“Não se pode aceitar mais violência. Não se pode tolerar. Todos temos que colaborar se quisermos algo melhor. Não podemos permitir que se interpretem que um estádio de futebol é um lugar de violência. Respeitemos a vida, respeitamos o direito de todos. Temos que entender que uma partida é um esporte, e temos que respeitar que um dos times irá ganhar e outro irá perder. Todos temos a obrigação de identificar que isso não é futebol”, discursou Domínguez em entrevista coletiva na sede da Conmebol após a reunião.

Em seu pronunciamento, o dirigente deixou claro que o jogo “será fora do território argentino, porque entendemos que essa partida não se pode realizar na Argentina”.

Segundo jogo pode nem acontecer

Embora a Conmebol tenha reservado o final de semana de 8 e 9 de dezembro para a decisão da Libertadores, o segundo jogo da final pode nem acontecer. O Tribunal Disciplinar da entidade ainda julgará um recurso do Boca Juniors que tenta responsabilizar o River Plate pelos incidentes do último final de semana em Buenos Aires. Caso o River seja punido com a desclassificação, o Boca será declarado campeão da competição.

O flerte com uma punição mais severa ao River Plate começou na madrugada desta terça-feira. Por meio de um comunicado oficial, a Unidade Disciplinar da Conmebol abriu um processo contra o time pelo ataque dos torcedores ao ônibus adversário, o que provocou o cancelamento da final no sábado.

O incidente provocou ferimentos em membros da delegação xeneize que decidiria a Libertadores no Monumental de Nuñez. O motorista que guiava o ônibus disse ter sofrido um apagão por alguns segundos, enquanto o capitão do time, Pablo Pérez, feriu o olho com estilhaços do vidro quebrado. O meio-campista foi diagnosticado com uma úlcera na córnea esquerda.

O próprio Boca Juniors, que no sábado havia assinado um acordo de cavalheiros para jogar no domingo, cobrou uma punição mais severa ao River Plate. Também em comunicado oficial, a equipe do bairro de La Boca reclamou do arquirrival e usou um artigo que justificaria até um castigo esportivo, como foi o caso.

Para conseguir a suspensão da final no domingo, o Boca usou como fundamento o artigo 18 do regulamento disciplinar da Conmebol, que cita punições desde advertências e multas até a determinação do resultado de um jogo. Os órgãos, neste ponto, podem determinar uma ou mais sanções dependendo da gravidade da infração.

Confira, na íntegra, o comunicado da Conmebol assinado pelo presidente:

"Senhores presidentes,

Conforme os acontecimentos de violência ocorridos na cidade de Buenos Aires no dia 24 de novembro, os quais colocaram em risco a segurança dos jogadores, oficiais e torcedores, inclusive com atos delituosos que as autoridades da República Argentina investigam, resulta prudente que a partida final não se jogue no dito país.

O regulamento da Conmebol Libertadores 2018, em seu artigo 4, diz que “o regulamento foi elaborado pela Conmebol de forma a garantir os princípios de integridade, continuidade e estabilidade das competições, de fair play (jogo limpo) desportivo e financeiro, de imparcialidade, de verdade e segurança desportiva, procurando assegurar a imprevisibilidade dos resultados, a igualdade de oportunidades, o equilíbrio das disputas e a credibilidade de todos os envolvidos na competição. As competições organizadas pela Conmebol exigem a colaboração de todos os envolvidos de forma a prevenir comportamento antidesportivos, particularmente a violência”

Além disso, o artigo 35 estabelece “em caso de mediar alguma dificuldade ou impossibilidade para disputar uma partida na sede, datas e horários estipulados, ficará a juízo exclusivo da Conmebol adaptar as modificações que considere pertinentes. A Conmebol poderá a seu critério modificar datas, horários quando considere prudente ou necessário. Também poderá mudar a sede do encontro como alternativas de solução”.

Por consequência, a Conmebol, em uso de suas faculdades, e a efeitos de garantir o devido término desportivo da Libertadores, determina que:

A partida de volta da Final da Libertadores será realizará nos dias 8 ou 9 de dezembro, em horário e sede a definir-se pela administração da Conmebol o mais breve possível. Obs: Sujeito à decisão do Tribunal Desportivo

Conmebol assumirá todos os custos da viagem, hospedagem, alimentação e traslado interno, de até 40 pessoas por delegação

A Conmebol estabelecerá aos coordenadores de segurança e autoridades correspondentes"

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