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Uruguaio do River cresceu com rivalidade Gre-Nal e sonhava com Brasil

Rodrigo Mora, 31 anos, nasceu em Rivera e já torceu por um clube gaúcho - AFP PHOTO / ALEJANDRO PAGNI
Rodrigo Mora, 31 anos, nasceu em Rivera e já torceu por um clube gaúcho Imagem: AFP PHOTO / ALEJANDRO PAGNI

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

30/10/2018 04h00

O River Plate vai precisar vencer o Grêmio, nesta terça-feira (30), para voltar à final da Libertadores. Se Marcelo Gallardo precisar, terá um atacante que conhece bem o rival. Rodrigo Mora é uruguaio, mas nasceu na fronteira com o Brasil e quando criança torceu por um clube gaúcho não revelado publicamente. As cores prediletas à época são uma espécie de segredo de família.

A casa dos Mora, em Rivera, vive em meio a duas rivalidades. A eterna disputa entre Peñarol e Nacional e a da dupla Gre-Nal.

"A nossa família é bem dividida. Tem (torcedor) do Grêmio e tem do Inter. Assim como Nacional e Peñarol… Aqui é bem dividido mesmo. No caminho alguns vão se perdendo, no bom sentido", brincou Jorge Gustavo Fagundez, tio de Mora. "Quando tem Gre-Nal... Nossa! A divisão é bem forte".

Em 2010, quando estava no Cerro-URU, Mora enfrentou o Inter. Antes do jogo da fase de grupos da Libertadores em Porto Alegre, fez uma revelação pela metade.

"Sempre olhei futebol brasileiro, e para mim é um sonho ter oportunidade aqui no Brasil. Eu torcia para um time, mas não vou falar qual. É um dos dois (Grêmio ou Inter). É um sonho para mim estar aqui", declarou o atacante. "Olha, eu não sei te dizer para quem ele torce", desconversou Fagundez.

Rodrigo Mora, que completou 31 anos nessa segunda-feira (29), começou a carreira na cidade uruguaia que faz divisa com Santana do Livramento, na região da campanha do Rio Grande do Sul, e tem no currículo passagens por Defensor-URU, Cerro-URU, Benfica-POR e Peñarol antes de chegar ao River Plate. Em Buenos Aires, a carreira se consolidou.

Rodrigo Mora nos tempos de Nacional de Rivera-URU - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Mora nos tempos de Nacional de Rivera-URU
Imagem: Arquivo pessoal

Bem antes de brilhar no Monumental de Nuñez, Mora era meia armador. O clássico camisa 10 chegou a conseguir vaga nos times inferiores do Grêmio, mas acabou indo para o Juventud de Las Piedras. A decisão também passou pelo crivo do pai, viúvo e guia dos cinco filhos.

"Quando ele começou, jogava de armador. Jogava como o camisa 10, se movimentava bem e chegava bem à frente. Fazia gol e criava. Ele foi pretendido pelo Peñarol aos 18 anos, mas não foi para lá", comentou Fagundez. "Ele tem a manha brasileira. Aqui em Rivera, temos um pouco do uruguaio e um pouco do brasileiro. Tem uma integração cultural grande entre os povos. Ele tem essa ginga do drible, da gambeta", acrescentou o tio por parte de mãe.

A verve brasileira até pode ser explicada pelos antepassados. Durante a gira pelo futebol uruguaio, a família se mobilizou para encontrar laços com o Brasil em busca de cidadania verde e amarela. A procura revelou um tataravô que falava português e nasceu do outro lado da fronteira.

"A gente chegou a averiguar se tínhamos algum brasileiro na família e achamos um bisavô meu e da mãe dele. Foi o único traço de Brasil que encontramos na nossa árvore genealógica", contou Jorge Gustavo Fagundez. "Naquele momento, se pensou em buscar cidadania brasileira para alguma transferência futura. Mas acabou nem precisando, ele foi para outro lado", relembrou.

Campeão da Copa Sul-Americana, Libertadores e Recopa pelo River, Mora atualmente é uma opção no banco de Gallardo. Contra o Grêmio, a disputa no ataque fica entre Scocco, Lucas Pratto e Rafael Borré. Mas no banco estará alguém que conhece o clube brasileiro desde pequeno.

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