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"Foi roubado": Palmeiras de 2001 ainda não engole arbitragem contra o Boca

Lance de Boca Juniors 2 x 2 Palmeiras na Copa Libertadores de 2011 com Guillermo Schelotto, atual técnico do Boca - Marcos Haupa/Reuters
Lance de Boca Juniors 2 x 2 Palmeiras na Copa Libertadores de 2011 com Guillermo Schelotto, atual técnico do Boca Imagem: Marcos Haupa/Reuters

Leandro Miranda e Vanderlei Lima

Do UOL, em Buenos Aires e São Paulo

24/10/2018 04h25

O reencontro do Palmeiras com o Boca Juniors nesta quarta-feira (24) em La Bombonera, pelo jogo de ida das semifinais da Copa Libertadores, evoca memórias do último encontro de mata-mata entre as equipes, ocorrido há 17 anos. Para os alviverdes, memórias nada boas. A eliminação na Libertadores de 2001, também na semifinal, ficou marcada por uma arbitragem desastrosa do paraguaio Ubaldo Aquino no jogo de ida, que terminou em 2 a 2, e até hoje não foi digerida pelos personagens daquela partida.

Aquino deu um pênalti inexistente de Alexandre em Barijho e deixou de marcar uma penalidade clara do goleiro Córdoba em cima de Fernando. No jogo da volta, houve empate pelo mesmo placar, o Boca acabou avançando nos pênaltis. O time argentino seria campeão ao superar na final o Cruz Azul, do México.

"Foi roubado", diz ao UOL Esporte o ex-zagueiro Alexandre, que hoje mora em São Pedro do Suaçuí, em Minas Gerais. "Roubaram o nosso jogo lá, o árbitro foi muito descarado, porque teve um pênalti que eu cometi e que não foi nada. Eu girei no ar e trombei com o atacante, e no final do jogo, quando estava 2 a 2, um pênalti claríssimo no Fernando (não marcado). Aquilo foi um absurdo".

O ex-volante Fernando vai pela mesma linha. Além de o pênalti sofrido por ele não ter sido marcado, ele ainda recebeu cartão amarelo por simulação no lance. Depois, recebeu outra advertência por se desentender com um adversário e acabou expulso, ficando de fora da partida de volta no Palestra Itália.

"Quem enfiou a bola para mim foi o Magrão, e quando aconteceu o lance, e eu caí, eu já comemorei", lembra ele. "Foi uma surpresa geral quando eu olhei para trás e vi o árbitro já com o cartão amarelo em riste. Ele não falou nada, só deu o amarelo, e eu fiquei indignado. Foi uma coisa absurda aquela noite, ainda mais depois do lance capital do Alexandre no primeiro tempo, em que ele marcou pênalti".

A ausência de Fernando no segundo jogo, por causa da expulsão na ida, também é apontada como um dos fatores que facilitou para que Riquelme desequilibrasse a partida no Palestra Itália. "Muitos torcedores naquela semana, depois da eliminação, falaram para mim que se eu estivesse na segunda partida as coisas poderiam ter sido diferentes. Uma das minhas principais qualidades sempre foi a marcação", diz ele.

Segundo o técnico Celso Roth, depois da partida, Ubaldo Aquino chegou a dizer para ele no estacionamento do estádio: "Assim ficou bom para todo mundo". O treinador não acredita que os erros do paraguaio tenham sido premeditados para prejudicar o Palmeiras, mas atribui a eliminação alviverde à atuação ruim do apitador no jogo de ida.

"O jogo lá (em La Bombonera) é muito difícil de ser arbitrado e de ser jogado, mas isso não é desculpa", diz Roth. "Ele deu esse lance que nos deixou a sensação de que a gente poderia ter voltado de lá com o resultado bem melhor. Eu credito a eliminação a ele, porque nós fizemos um jogo muito bom lá e merecíamos o resultado positivo. Certamente teríamos passado adiante porque o jogo em São Paulo foi muito disputado e, se a gente viesse com a vitória, teríamos passado. Esses erros foram fatais".

Árbitro do polêmico jogo de 2001, Ubaldo Aquino deu palestra sobre VAR ao Palmeiras - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação
No reencontro com o Boca em uma semifinal de Libertadores, o Palmeiras vive outro cenário. O clube recebeu bem o nome do chileno Roberto Tobar para a arbitragem, que já apitou a vitória alviverde em La Bombonera na fase de grupos, e ainda terá o recurso do árbitro de vídeo (VAR) para sanar eventuais dúvidas em campo. A tecnologia, aliás, é apontada como um fator que poderia ter salvado o time em 2001.

"Foram decisões na hora, e que a gente tem que assimilar", avalia Roth. "Agora, se tivesse VAR, eu penso que poderia ter inclusive o ajudado a tomar a decisão. Infelizmente, a nosso ver, e de maneira geral, foi errado".

Para outro personagem marcante daqueles duelos, o ex-volante Galeano, o Palmeiras de 2018 tem plenas condições de "vingar" o time de 2001. "Eu penso da mesma forma que eu pensava lá atrás: se o Palmeiras não for prejudicado, se não tiver interferência, o Palmeiras tem tudo para passar. Tem que ter essa atenção, tem que ter essa cobrança com a Conmebol. O Palmeiras tem que pegar pesado nisso aí e ficar em cima, porque já tivemos exemplos. Então não pode vacilar, porque dentro de campo como time o Palmeiras tem condições de passar".

O UOL Esporte entrou em contato com Ubaldo Aquino, mas o ex-juiz, que hoje integra a Comissão de Arbitragem da Conmebol, não quis falar sobre o jogo de 2001. "Já faz muito tempo. Eu estive com o pessoal do Palmeiras, com Scolari, na semana em que o Palmeiras jogou no Chile (contra o Colo-Colo, pelas quartas de final). Demos uma explicação sobre o protocolo do VAR. Não quero falar sobre esse jogo, não vai mudar nada eu falar agora", disse o paraguaio.

A bola para Boca Juniors x Palmeiras rola a partir das 21h45 (de Brasília) desta quarta-feira, em La Bombonera.

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