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River encara Grêmio com a chance de deixar apelido de 'galinha' para trás

Gallardo pode cravar o River entre os "bichos-papões" na Libertadores - AP Photo/Natacha Pisarenko
Gallardo pode cravar o River entre os "bichos-papões" na Libertadores Imagem: AP Photo/Natacha Pisarenko

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

23/10/2018 04h00

Dos apelidos depreciativos a times na Argentina, poucos têm tanta relação esportiva quanto o do River Plate. Quem cresce no país vizinho se acostuma a tratar os “Millonarios” como “Galinhas”, graças a fracassos em fases derradeiras de grandes competições. Nesta terça-feira, a geração comandada por Gallardo pode extinguir o termo pejorativo e firmar o clube entre os dominantes do continente, como o arquirrival Boca Juniors.

O obstáculo para o River alcançar a melhor sequência de desempenho em Libertadores é o Grêmio, rival no Monumental de Nuñez a partir das 21h45 (de Brasília). Tricampeão do principal torneio sul-americano (1986, 1996 e 2015), o time alvirrubro de Buenos Aires vive sob a direção de Gallardo um papel de favorito que pode tornar a atual geração pioneira.

São três semifinais nas últimas quatro Libertadores, com direito ao título em 2015. O feito se iguala ao fim da década de 1990, quando a geração de Enzo Francescoli e Hernán Crespo ganhou o torneio em 1996 e chegou entre os semifinalistas em 1998 e 1999, parando em Vasco e Palmeiras, respectivamente.

O passado mais recente, entretanto, machuca o atual elenco, agora com a oportunidade de colocar o River em tempo recorde desde a última decisão. Foram dez anos entre os vices de 1966 e 1976; mais dez até o título de 1986; e outra década até o bi em 1996. O jejum só terminou em 2015, com o tri.

O apelido ‘galinha’ – tão exaltado por Carlitos Tevez em 2004, que comemorou um gol imitando o animal em pleno estádio millonario – perdeu de certa forma força com o troféu obtido há três anos, mas voltou às rodas de provocação em 2017.

O termo pejorativo dado pelos rivais se fortaleceu com a eliminação surpreendente para o Lanús, justamente o adversário derrotado pelo Grêmio na final do ano passado. No duelo local, o River Plate se rememorou à Libertadores de 1966, quando nasce de fato a fama de “amarelão” para a equipe de Nuñez.

River Plate Lanús Sand - Natacha Pisarenko/AP - Natacha Pisarenko/AP
Derrota de virada para o Lanús no ano passado reforçou a "fama de amarelão"
Imagem: Natacha Pisarenko/AP

Há mais de 50 anos, o Peñarol saiu de uma desvantagem de 2 a 0 para vencer por 4 a 2 e conquistar o troféu em Santiago. No ano passado, o River ficou bem próximo de encarar o Grêmio para buscar o tetra. Abriu dois gols, sofreu quatro em sequência. Roteiro semelhantemente cruel.

Para reverter a fama renascida com a queda para um "modesto" Lanús e avançar à decisão, outro brasileiro pela frente e uma realidade diferente para o elenco de Lucas Pratto, Franco Armani e 'Nacho" Scocco. O Grêmio vai encarar um River Plate encorpado e já marcado na história do clube.

O time de Gallardo registrou um novo feito ao chegar a 32 jogos de invencibilidade em partidas oficiais, número interrompido com a derrota pela desvantagem mínima de uma formação basicamente reserva contra o Colón, em jogo pelo Campeonato Argentino e ocorrido na sexta-feira.

Tamanho feito, todavia, será amenizado (ou até esquecido pelos mais pessimistas) em caso de novo fracasso na semifinal da Libertadores. Para alcançar o retrospecto de "bicho-papão" recente da Copa, o River Plate precisa se comprovar a partir desta terça-feira, quando, depois de mais de cinco décadas, o apelido “galinha” e a pecha de “amarelão” podem se afastar de vez dos lados do Monumental de Nuñez.

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