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Com show da torcida e catimba, Palmeiras reforça "casca" de Libertadores

Empurrado pela torcida do início ao fim, Palmeiras mostrou maturidade - NELSON ALMEIDA / AFP
Empurrado pela torcida do início ao fim, Palmeiras mostrou maturidade Imagem: NELSON ALMEIDA / AFP

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

31/08/2018 12h00

A classificação sofrida do Palmeiras para as quartas de final da Libertadores na última quinta-feira (30), com derrota por 1 a 0 para o Cerro Porteño, serviu não só para fazer o alviverde avançar mais um passo no principal objetivo da temporada, mas também para dar ao elenco mais uma camada na "casca" que vem sendo construída para encarar as peculiaridades do torneio continental. Com um a menos desde a expulsão de Felipe Melo aos 3 minutos de jogo, o time de Felipão precisou encarar uma situação dura e, embalado por 33 mil palmeirenses que deram show no Allianz Parque, mostrou maturidade e experiência para carimbar a vaga.

Assista aos melhores momentos de Palmeiras 0 x 1 Cerro Porteño

A importância da torcida na classificação não deve ser subestimada. Desde o precoce cartão vermelho para Felipe Melo, as arquibancadas do Allianz Parque compensaram a desvantagem numérica em campo gritando sem parar. A cada marcação desfavorável do árbitro argentino Germán Delfino, o barulho aumentava. Se o Palmeiras roubava a bola e encaixava um raro contra-ataque, o volume ficava ainda mais ensurdecedor. As vaias quando o Cerro tentava trocar passes eram um adversário a mais para os paraguaios.

Não à toa, o diretor de futebol Alexandre Mattos disse que o Palmeiras não jogou com um a menos, e sim com alguns a mais. Os jogadores, que mostraram muita aplicação defensiva e organização para suportar a pressão adversária, também exaltaram o papel dos palmeirenses no Allianz para empurrar o time.

"A torcida sempre comparece em peso e nos ajuda muito", disse o capitão Bruno Henrique. "Hoje (quinta) foi um jogo muito nervoso, atípico, então o torcedor fez uma atmosfera incrível. Cada bola que a gente tirava, cada susto que a gente dava, ele nos empurrava, gritava muito, e isso dava mais energia para a gente. O que aconteceu aqui foi uma coisa fantástica".

No final, com o Cerro Porteño se lançando à frente em busca do gol que levaria o confronto para os pênaltis e o Palmeiras, já cansado, se segurando como podia, a torcida também foi importante para não deixar o time visitante crescer no jogo, gritando "olé" para tentar desestabilizar os paraguaios.

Já o alviverde começou a "catimbar", cavando faltas e demorando para repor a bola em jogo. Dois gandulas foram expulsos por Delfino por esse motivo, enquanto Felipão pedia para os reservas levantarem do banco e fazerem pressão para que o árbitro terminasse logo a partida.

"Essa casca, nesse tipo de competição como a Libertadores, é muito necessária", completou Bruno Henrique. "Desde o começo estamos fazendo uma boa campanha, principalmente fora de casa, e o time já vem criando uma maturidade muito boa. Hoje aconteceu a expulsão e foi um jogo para criar um pouco mais dessa casca de Libertadores, união do grupo. O time mostrou uma maturidade muito grande hoje, de saber jogar o jogo".

Nem mesmo o Cerro Porteño condenou o Palmeiras por tentar gastar o tempo nos minutos finais. O técnico Fernando Jubero e o volante Marcelo Palau lamentaram o ocorrido, mas disseram que qualquer equipe faria o mesmo e que o alviverde estava apenas usando as armas que tinha. As críticas foram mais dirigidas à arbitragem de Delfino do que à postura da equipe brasileira.

Dono da melhor campanha da Libertadores, construída na fase de grupos sob o comando de Roger Machado e mantida no mata-mata com Felipão, o Palmeiras deixou o Allianz Parque na quinta-feira mais perto do sonho do bicampeonato e envolvido nos cantos da torcida, que entoou o hino do clube a plenos pulmões após o apito final. O espetáculo mostrou que decidir todos os confrontos eliminatórios em casa é, sim, uma grande vantagem para esse time.

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