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Com dívidas, Santos teme nova eliminação e prejuízo milionário no caixa

Ivan Storti/SantosFC
Imagem: Ivan Storti/SantosFC

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

27/08/2018 04h00

O Santos inicia a semana preocupado não somente com a decisão da Conmebol no caso envolvendo o volante uruguaio Carlos Sánchez, que será julgado na tarde desta segunda-feira pela entidade. Nos bastidores, em meio a um caos político, o clube já teme que o mês de agosto fique marcado por um prejuízo milionário não calculado em seu caixa.

Uma possível saída da Copa Libertadores da América ocasionaria na segunda eliminação precoce seguida e um vácuo considerável nos cofres. Na Copa do Brasil, o Santos caiu nos pênaltis para o Cruzeiro, no último dia 1º. A saída representou, pelo menos, R$ 6,5 milhões de prejuízo, valor repassado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aos semifinalistas.

Esse ano, no entanto, a competição tem como principal atrativo uma premiação recorde paga ao campeão: R$ 50 milhões. O montante é disputado por Cruzeiro, Corinthians, Flamengo e Palmeiras.

Na Libertadores, os valores são menores, mas também representativos. Se não passar às quartas de final, o clube já perde 950 mil dólares (R$ 3,1 milhões), mais a arrecadação com bilheteria no jogo como mandante. Somando as cotas até a final, o valor acumulado chega a 8,3 milhões de dólares (cerca de R$ 34 milhões), em caso de título, ou 5,3 milhões de dólares (cerca de R$ 21,7 milhões) com um vice.

Após empatar por 0 a 0 no jogo de ida, na Argentina, equipe do técnico Cuca fará o decisivo confronto com o Independiente nesta terça (28), no estádio do Pacaembu, pelas oitavas de final da competição.

Se não for punido, bastará uma vitória simples para passar adiante. Contudo, o placar pode virar um 3 a 0 a favor dos argentinos caso o Tribunal de Disciplina decida que Sánchez entrou em campo de forma irregular.

Apesar da venda do atacante Rodrygo ao Real Madrid, o clube ainda passa por uma série de dificuldades financeiras. Na última sexta (24), o técnico Cuca externou em entrevista coletiva que o clube acertou dois meses de pagamento de “bichos” em atrasos, premiações dadas aos jogadores e comissão técnica por metas ou vitórias alcançadas.

“Nosso lado não tem sido afetado. Os problemas não afetam. Confesso que tive dificuldade em cima de contratações, diversos nomes não foram aprovados. Não me queixo. Deixamos de trazer, mas ganhamos o que temos. Maior reforço é crescer quem está aqui e estou focado nisso. Estavam bichos atrasados, foram colocados em dia pelo presidente”, disse Cuca.

O clube alvinegro acertou a venda de Rodrygo por 40 milhões de euros (R$ 175,6 milhões), referentes aos 80% dos direitos econômicos que o clube possui do jogador. No entanto, somente metade do valor já foi pago, enquanto o restante acontecerá na data de apresentação no novo clube.

A maior preocupação são as dívidas a serem pagas já neste ano. “O Santos tem para pagar até dezembro R$ 119 milhões [de dívidas]. É algo absurdo. É o passivo a curto prazo, aquilo que temos que pagar agora. Estamos fazendo algumas negociações para pagar de 30% a 40%, o máximo possível sem perder o dinheiro para pagar salários e outras despesas. O Santos tem uma máquina pesada, não podemos fazer mais compras”, disse o presidente José Carlos Peres, em entrevista ao UOL Esporte.

Para aliviar o caixa, o Santos tinha como objetivo também negociar o zagueiro Lucas Veríssimo, mas todas as tratativas – com Zenit-RUS, Spartak Moscou-RUS, Torino-ITA e Lyon-FRA – fracassaram.

No segundo semestre, o clube investiu para não deixar precocemente nenhuma competição apostando alto, principalmente, com a contratação do pacote de gringos que, além de Sánchez, ainda conta com o meia costarriquenho Bryan Ruiz e com o atacante paraguaio Derlis Gonzáles. O técnico Cuca, que com sua comissão técnica fatura R$ 700 mil mensais, foi outro investimento de peso.

Na Copa do Brasil, os jogadores não foram inscritos a tempo e sequer conseguiram contribuir para evitar a eliminação já na retomada após a Copa do Mundo.

O problema culminaria, também, com um novo momento de caos político no clube. O presidente Peres na última sexta-feira (24) teve a liminar que tratava o andamento do processo de seu impeachment derrubada. O pedido foi feito pela Comissão de Inquérito e Sindicância (CIS). Sendo assim, o presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Teixeira, pode marcar a reunião ordinária que votará a retirada ou não de Peres para o próximo dia 30.

A representação foi fundamentada com embasamento jurídico e com base em diversas reportagens e documentos oficiais do governo brasileiro, a infração estatutária cometida pelo presidente, envolvendo as empresas "Saga Talent" e e "Peres Sports & Marketing", e seus sócios em ambos os negócios que podem possuir relações empregatícias e judiciais com o Santos.

Se for eliminado da Libertadores, o Santos fica somente com o Campeonato Brasileiro para disputar, competição que ainda briga contra o rebaixamento.

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