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"Libertadores é torneio de bairro", reclama técnico do Independiente

Marcos Brindicci/Reuters
Imagem: Marcos Brindicci/Reuters

Do UOL, em São Paulo

22/08/2018 20h34

O técnico do Independiente não está feliz com a suposta escalação irregular de Carlos Sánchez, jogador do Santos, no confronto da noite desta terça-feira. Ariel Holan fez duras críticas à organização da Copa Libertadores.

“Temos que falar do que acontece para que o futebol sul-americano não seja a porcaria que às vezes se vê. (...) Desculpem-me, a Libertadores é um torneio de bairro. Pela maneira como é dirigida e como se tomam as decisões, é um torneio de bairro”, disse.

As declarações foram feitas à Direct TV, da Argentina. Holan fez questão de destacar o fato de que dois de seus jogadores [Franco e Figal] estiveram suspensos para a partida diante do Santos, determinação cumprida pelo Independiente.

“Não me coloco como juiz ou fiscal, mas os regulamentos existem para que sejam cumpridos”, afirmou. "Existem leis e regras em um esporte profissional onde se compete por dinheiro. Se uma empresa se equivoca, tem de pagar”, completou.

carlos sanchez - Ivan Storti/Santos FC - Ivan Storti/Santos FC
Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Diante da possibilidade de ser punido na Libertadores, o Santos fez uma provocação na internet. A postagem parece ser direcionada ao Independiente, que contestou a escalação de Carlos Sánchez na noite desta terça-feira (22), no jogo de ida das oitavas.

"Futebol se resolve em campo", escreveu o clube paulista em uma publicação no Instagram. A confusão envolve um cartão vermelho recebido pelo jogador no dia 26 de novembro de 2015, quando defendeu o River Plate pela Copa Sul-Americana.

Esta foi a última partida do jogador por uma competição sul-americana antes da disputada na noite desta terça, de modo que o Independiente alega que deveria ter cumprido suspensão. A Conmebol anunciou ter aberto um processo disciplinar para investigar o possível descumprimento de dois artigos.

O Santos, no entanto, acredita que o atleta tinha condições de jogo como consequência de uma anistia promovida pela Conmebol em seu centenário, em 2016, quando diminuiu pela metade a pena em vigor de jogadores em competições sul-americanas.

Além disso, o gerente jurídico do clube brasileiro, Rodrigo Gama, alega que um sistema da Conmebol chamado Comet mostra que Sánchez não tinha punições a cumprir.

"Lá (no sistema Comet) consta que há uma punição de uma partida da Sul-Americana 2015. Só que logo após isso existe ?a cumprir 0?, não existe nenhuma punição a cumprir. Agora está zerado. Isso consta do sistema desde o dia 24 de maio desde 2018. Provavelmente quando colocaram o jogador na Copa do Mundo limparam a ficha do jogador", explicou Gama em entrevista à ESPN.

"Não descumprimos nada. É um sistema específico e detalhado, ele mesmo coloca tudo, é muito completo. É o único veículo oficial que temos que diz para nós se há ou não alguma infração a cumprir. Não sei se é a boataria ou alguma má-fé de querer passar no tapetão por parte dos argentinos", acrescentou o gerente jurídico. 

Um documento da Conmebol obtido pelo UOL Esporte, datado de dezembro de 2015, mostra que Sánchez acabou punido com três jogos de suspensão pelo Comitê Disciplinar da entidade. Sendo assim, mesmo com a anistia reduzindo a pena, ainda teria mais um jogo a cumprir.

Caso se confirme a escalação irregular, o Santos corre risco de ser declarado perdedor (3 a 0) no duelo de ida contra o Independiente, da última terça-feira, pelas oitavas de final. O jogo terminou empatado por 0 a 0 e os dois times voltam a se enfrentar na próxima semana, no Brasil.

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