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O fantasma Botafogo. Atlético-MG desafia seu maior carrasco desde 2007

Em 2013, mesmo com Ronaldinho Gaúcho, Atlético foi eliminado pelo Botafogo na Copa do Brasil - Divulgação/Vitor Silva/SSPress
Em 2013, mesmo com Ronaldinho Gaúcho, Atlético foi eliminado pelo Botafogo na Copa do Brasil Imagem: Divulgação/Vitor Silva/SSPress

Victor Martins

Do UOL, em Belo Horizonte

28/06/2017 04h00

Atlético-MG e Botafogo disputavam uma vaga na semifinal da Copa do Brasil de 2007. Após o empate sem gols no primeiro jogo, no Mineirão, a vitória por 2 a 1, de virada, era o suficiente para a equipe carioca avançar na competição. Perdendo desde os 10 minutos do segundo tempo, com gol do zagueiro Alex Bruno, o Atlético pressionava o adversário, mesmo no Rio de Janeiro. Aos 47 minutos da etapa final, após uma bola cruzada na área, o goleiro Júlio César não conseguiu fazer a defesa e Tchô pegou o rebote. O meia estava praticamente em cima da marca do pênalti quando foi derrubado Alex Bruno. O árbitro Carlos Eugênio Simon nada marcou.

Já cercado pelos atleticanos, o juiz gaúcho apitou o fim da partida e precisou da ajuda da polícia para conter a ira dos jogadores do Atlético e conseguir deixar o gramado do Maracanã. Dois dias depois, em 12 de maio, durante entrevista à Rede Globo, Simon assumiu o erro. “Eu não marquei porque não tive a convicção clara da penalidade e a bola ainda sobrou para o companheiro do atacante, que errou na finalização. Agora, revendo pela televisão, eu vi que houve pênalti e errei”, justificou o árbitro, até hoje não perdoado pela torcida do Atlético.

A partir daquele jogo, o Botafogo se tornou o maior carrasco do clube mineiro nos últimos dez anos. Tanto que nos 28 jogos que os dois clubes disputaram desde 2007, o Botafogo venceu 16 vezes. Isso significa que o Botafogo venceu 57% das partidas. Desempenho que nenhuma outra grande equipe do país conseguiu nos confrontos com o Atlético de uma década para cá.

Dez anos depois daquele polêmico jogo, o sorteio da Copa do Brasil colocou Galo e Botafogo frente a frente mais uma vez pelas quartas de final do torneio. Para chegar à semifinal pela quinta vez na história, o Atlético vai precisar eliminar de vez um dos maiores fantasmas recentes de sua história. Nos últimos cinco mata-matas com o Botafogo, incluindo o duelo que teve Carlos Eugênio Simon como protagonista.

Depois de 2007, o Botafogo também eliminou o Atlético da Copa do Brasil do ano seguinte e de 2013, nas quartas e oitavas de final, respectivamente. Além de dois encontros pela primeira fase da Copa Sul-Americana, em 2008 e 2011, sempre com a equipe carioca levando a melhor.

Vitórias importantes do Atlético sobre o Botafogo

Apesar das derrotas e eliminações que o Atlético viveu os últimos anos contra o Botafogo, o clube mineiro também conseguiu importantes triunfos, mas sempre pelo Campeonato Brasileiro. O primeiro deles foi em 2011, na 37ª rodada. Com a goleada por 4 a 0, na Arena do Jacaré, o Galo eliminou qualquer risco de rebaixamento.

No ano seguinte, também pela 37ª rodada, no Estádio Nílton Santos, o Atlético venceu por 3 a 2, mesmo jogando boa parte da partida com um jogador a menos. Com o resultado, a equipe mineira seguiu na briga com o Grêmio pelo vice-campeonato do Brasileirão, que foi confirmado na rodada final. Com a segunda colocação, o Atlético se classificou diretamente para a fase de grupos da Copa Libertadores de 2013.

A última grande vitória do Atlético sobre o Botafogo foi no Campeonato Brasileiro do ano passado. Vitória por 5 a 3, no Mineirão, com direito a grande atuação e recorde do meia Cazares. O equatoriano precisou de apenas 12 segundos para fazer 1 a 0, o gol mais rápido da história do Galo na história do Brasileirão. “Cada jogo é diferente. Para mim, aquele já foi. Trato de pensar em fazer uma boa partida agora. Fiz gols, gostei, mas agora vai ser contra jogadores diferentes. Então, vamos tratar de entrar com a cabeça tranquila, para fazer um bom jogo, ganhar e sair em vantagem neste mata-mata”, disse Cazares.

Atlético exorcizou fantasmas nos últimos anos

Algo que anima a torcida do Atlético é o desempenho do time em competições no formato de mata-mata nas últimas temporadas. E tudo começou a mudar com a conquista da Libertadores de 2013, que ajudou o clube mineiro a exorcizar alguns fantasmas. O longo tempo sem uma grande conquista e as vitórias sobre Newell’s Old Boys e Olímpia, na disputa de pênaltis, foram alguns dos fantasmas exorcizados.

Mais alguns no ano seguinte, na inédita conquista da Copa do Brasil, sobre o Cruzeiro. Além das duas vitórias na final, o título do Atlético ficou marcado por duas viradas espetaculares sobre Corinthians e Flamengo, nas quartas e semifinal, respectivamente. E o histórico atleticano contra paulistas e cariocas não era nada bom em mata-mata.

E um dos pontos determinantes para o Atlético se dar bem em torneios recentes foi o bom desempenho dentro de casa. Se no Brasileirão a equipe alvinegra venceu apenas um dos cinco jogos que disputou, nesta quinta-feira, fazer do Independência um caldeirão e pressionar o Botafogo é o que deseja os jogadores do Galo, para afastar de vez um dos últimos fantasmas dos torcedores atleticanos.

“Temos de jogar com inteligência, saber que temos 180 minutos para decidir a classificação. Claro que jogando em casa, o Atlético tem de propor o jogo, tem que procurar ir para cima do adversário. Mas com organização, dentro do aspecto tático que trabalhamos e fazendo aquilo que temos de melhor no Independência, que é pressionar o adversário”, disse o goleiro Victor.

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