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Série B - 2019

Palmeiras contraria 'manual da queda' com indefinições para retorno à elite

Gilson Kleina ainda não sabe se permanecerá no comando do Palmeiras em 2014 - CESAR GRECO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Gilson Kleina ainda não sabe se permanecerá no comando do Palmeiras em 2014 Imagem: CESAR GRECO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Mauricio Duarte

Do UOL, em São Paulo

31/10/2013 06h00

Para quem já passou pela experiência de disputar a Série B do Campeonato Brasileiro, se há uma lição a se tirar, é a da continuidade. Manter comissão técnica e elenco é fundamental para não quebrar o espírito de união que se incorpora à equipe com a conquista de um acesso. Obviamente que ajustes, como a chegada de reforços, devem ser feitos. Além disso, é necessário estreitar laços com o torcedor. Mas, segundo quem já viveu isso na pele, as mudanças não podem ser drásticas.

O Palmeiras, que conquistou o acesso pela segunda vez no último sábado, vive esse dilema e não segue o exemplo de outros times rebaixados. A diretoria ainda não definiu um projeto claro para 2014, nem em termos de comissão técnica e elenco, nem em termos de marketing com o torcedor. Além do técnico Gilson Kleina, mais 13 atletas esperam renovação de contrato.

“Você conseguir manter uma estrutura estável é positivo em qualquer trabalho e no futebol não é diferente. Se você tem peças encaixadas, pessoas que conheçam mais profundamente o material humano com quem se trabalha, é extremamente positivo. Isso é uma coisa que deve ser buscada”, analisa José Hamilton Mandarino, que foi vice-presidente de futebol no Vasco na campanha do acesso em 2009 e deixou o clube no ano passado.

A primeira passagem de Paulo Odone na presidência do Grêmio foi de 2005 a 2008. Seu primeiro desafio era levar a equipe de volta à Série A e manter o time lá. Para ele, além da manutenção da estrutura no retorno, o clube precisa se aproximar cada vez mais dos torcedores nesses momentos.

“Quando a gente assumiu além da segunda divisão, o Grêmio estava quebrado e desmoralizado. A paixão do torcedor era o único capital. Tinha que focar nisso. Buscar o engajamento dele. Depois isso se repetiu no Corinthians e no Atlético-MG. A experiência que tivemos foi de curto prazo. Apagar incêndio. Depois disso você começa a formar time competitivo. O mesmo treinador ficou três anos. Então a continuidade foi fundamental”, lembra.

Restabelecer a confiança da torcida é algo que precisa ser trabalhado pela diretoria assim que o time se estabelece novamente na primeira divisão, lembra Hamilton. “Tem que restabelecer credibilidade com a torcida. Não existe você ter bons resultados dentro de campo sem bom trabalho fora dele. Isso é uma coisa que o futebol brasileiro tem que aprender”, afirma.

Parte da torcida alviverde mostrou que está longe disso quando vaiou o time logo após a conquista do acesso, no empate sem gols com o São Caetano, no Pacaembu. O Corinthians, com o trabalho de marketing apoiado na premissa de focar no torcedor mais do que no time, conseguiu voltar para a Série A em 2009 com o torcedor ao seu lado e é citado como exemplo de conduta bem-sucedida.

Para o goleiro Fernando Prass, um dos líderes do elenco do Palmeiras, a missão se torna mais complicada pelo fato de que é a segunda vez que a equipe passa pelo calvário da Série B. ele também esteve com o grupo do Vasco que conseguiu o acesso.  Experiente, portanto, compartilha da opinião de que é necessário manter a estrutura.

“Você pode se cercar de algumas coisas para evitar. É a continuidade, montar trabalho a longo prazo, estrutura boa para trabalhar, cuidar da parte financeira. Não tem uma receita, mas você pode tomar atitudes para minimizar os riscos”, avalia.

Felipe Ximenes, que foi coordenador de futebol do Coritiba no acesso de 2010 e continuou no clube até o meio deste ano, afirmou que por mais insatisfeita que a torcida possa estar no momento de crise, o currículo do time acaba se sobrepondo a isso. Para ele, uma questão fundamental é que a equipe precisa de um tempo de adaptação á elite do futebol  e os títulos não devem ser obrigatórios.

“A volta para a Série A não impõe na equipe um compromisso de que tem que ganhar tudo imediatamente. Existem exemplos de equipes que subiram e tiveram sucesso e que não tiveram. Tem que entender o momento do seu clube para tomar a melhor decisão. A história de qualquer grande clube que cai pra Série B é maior do que isso. A atitude do Corinthians provou isso. A história do Palmeiras é muito maior do que um disputa de Série B e isso fala mais alto”, diz.

O treinador Jair Picerni, que subiu o Palmeiras em 2003 e seguiu no comando da equipe no ano seguinte, tem pensamento semelhante, mas ressalta que tudo depende de conquistas. “Se está dando certo, precisa manter. Eu, por exemplo, conversaria bem com o Kleina e acho que ele deveria continuar. Mas cada um tem a seu jeito profissional. Torço para que ele continue, tem já o conhecimento do trabalho”, diz, lembrando que em time grande o planejamento só funciona com títulos. “O projeto de um time grande é ganhar”, completa.