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Fórmula 1

Sabia que Senna já tirou racha com Galvão e levou Barrichello pra Disney?

Do UOL, em São Paulo

25/04/2014 06h00

Falar que a vida de Ayrton Senna é um livro aberto pode parecer exagero. Mas, lá se vão 20 anos da morte e muita gente já contou uma série de histórias sobre o tricampeão. Como, então, encontrar algo novo para escrever? O UOL Esporte resolveu, então, reunir algumas histórias curiosas que já foram contadas, mas que pouca gente lembra.

Quem diria que, quando chegou na Inglaterra, no início dos anos 80, Senna queria ser chamado de Silva? Ou que a estrela tricampeã, em um dia de folga em Tóquio, iria com o novato Rubinho Barrichello para a Disney do Japão? São 10 causos envolvendo Ayrton e outros personagens famosos que valem a pena. Divirta-se:

1) Chico Serra: ele “inventou” o Senna

Tricampeão da Stock Car, Chico Serra teve um papel muito maior na criação do mito Ayrton Senna do que muita gente se lembra. E ele fez isso com uma simples sugestão. Em 1983, na F-3 Inglesa, Serra olhou o carro com o nome “Ayrton da Silva”, no começo do ano, e disse ao amigo: “Com esse nome, você jamais vai ser campeão mundial”. Senna não respondeu, mas assumiria o sobrenome da mãe, que o consagrou, ainda naquela temporada.

Não bastasse isso, Serra já tinha ajudado o futuro tricampeão da F1 em seus primeiros passos no automobilismo europeu. Quando Senna foi negociar com a equipe Van Diemen para a temporada de 1981 da F-Ford 1600, ainda não falava inglês. O amigo, já veterano nas pistas europeias, atuou como tradutor na conversa com o dono da equipe, Ralph Firman.

Ayrton tentava a todo custo aumentar seu tempo com o carro na pista, fazendo mais treinos e corridas, pagando menos do que a equipe queria. Conseguiu fechar contrato, mas espantou Firman. “Quem diabos ele pensa que é?”, perguntou o dirigente a Serra, na ocasião. Meses depois, reconheceria o talento do brasileiro na pista. Senna foi campeão da F-Ford 1600 e, em 1982, ganhou a F-Ford 2000 também pela Van Diemen.

2) Emerson Fittipaldi, o olheiro

 A chegada de Senna ao circo da F1 teve as devidas apresentações de um campeão mundial: Emerson Fittipaldi. O caso aconteceu no GP da Áustria de 1980, quatro anos antes da estreia de Ayrton no Mundial. O bicampeão mundial, já de olho no talento de seu compatriota, levou Senna para conhecer os chefes das principais equipes da época. 

“Este jovem será campeão mundial. Se bobear, várias vezes”, dizia aos dirigentes. O otimismo deveria parecer precipitado. Senna era apenas uma promessa da Fórmula Ford 2000, categoria de base que fazia uma prova junto com a Fórmula 1 no circuito de Osterreichring naquele fim de semana. “[Os chefes de equipe] acharam que eu estava louco, que apenas estava ajudando um compatriota. Mas eu sabia que estava falando a verdade”, explicou Fittipaldi em um texto no site da McLaren, em novembro de 2013.

3) A briga pelo coração de Xuxa 

Senna e Xuxa - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Imagem: Reprodução/TV Globo

O interesse natural da mídia, dos fãs e a agenda apertada dos dois não foram os únicos obstáculos do namoro de Senna e Xuxa. Segundo livro “Ayrton, O Herói Revelado”, do jornalista Ernesto Rodrigues, o forte controle que a empresária Marlene Mattos tinha sobre a vida da apresentadora incomodava o piloto e resultou em algumas discussões. Em uma delas, Senna e Xuxa estavam no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, embarcando para Mônaco. Mattos apareceu e tentou proibir a viagem. Ela e Senna teriam discutido em pleno salão de embarque, disputando as malas de Xuxa. No final, a namorada seguiu a vontade do piloto.

Alguns meses depois, em dezembro de 89, o relacionamento dos dois já não andava bem. Senna resolveu fazer uma surpresa para a namorada em Nova York e apareceu, sem avisar e, ainda por cima, vestido de Papai Noel, na casa em que Xuxa estava. A reação foi bem diferente da esperada: a loira não o deixou entrar. O namoro, claro, terminou pouco tempo depois.

4) O racha com Galvão

Segundo a biografia “Ayrton, O Herói Revelado”, Senna gostava de andar rápido com os carros na rua. Em 1985, em Portugal, resolveu brincar com seu amigo Galvão Bueno, que estava em um Mercedes com Reginaldo Leme e outros dois membros da equipe da Globo que cobria a F1. O piloto, num Renault, levou o carro a até 210 km/h com Galvão acelerando atrás.

Senna conseguiu ultrapassar um caminhão e sumiu da vista dos ocupantes do outro carro. Ainda procurando o amigo na estrada, minutos depois, Galvão tomou um susto quando percebeu o carro de Senna buzinando e piscando o farol, atrás. O piloto ultrapassou pela esquerda e parou logo depois, com um cavalo de pau. Desceu do carro, às gargalhadas. Galvão resumiu o episódio ao biógrafo: “Nunca corri tanto na minha vida.”

5) Passeio com Barrichello na Disney

Em 1994, Rubens Barrichello fazia sua segunda temporada na F1 e tinha uma boa relação com o ídolo Senna. Dias antes do GP do Pacífico de 1994, o segundo do calendário, os dois se encontraram em um hotel no Japão. Tinham o dia livre. E foi aí que o novato recebeu um convite para lá de inusitado do tricampeão: que tal ir se divertir na Disney japonesa, ao lado do hotel em Tóquio? “Eu era apenas um garoto. E foi incrível. Nem em sonho eu poderia imaginar uma coisa dessas”, contou Barrichello em uma reportagem da BBC de 2004. 

Mas, como tudo na vida tem preço: “Para compensar, tive que correr com ele às 20h da noite. Afinal de contas, ele tinha deixado de fazer ginástica para ir à Disney. E ainda comemos um hambúrguer”, recordou o atual piloto da Stock Car.

6) Piquet ganharia aposta 

No final de 1983, Senna ainda buscava uma vaga na F1. Ele já tinha andando com os carros da Williams e da McLaren, mas ainda não tinha garantido um volante na principal categoria do automobilismo. Um dos lugares que estava na mira era a Brabham, na qual poderia se tornar companheiro de Nelson Piquet, que tinha acabado de conquistar seu segundo título pela equipe. Bernie Ecclestone, então dono do time, organizou um teste e sugeriu uma aposta com Piquet: o novato brasileiro repetiria seus testes anteriores e seria mais rápido que o atual campeão. “Tudo bem. Eu aposto 100 mil dólares”, respondeu o carioca. O valor fez o dirigente recuar. Melhor para Bernie. 

A simples suposição de que um piloto que nem tinha estreado na F1 poderia ser mais rápido deixou Piquet furioso. Ele, então, foi para o teste em Paul Ricard, na França, em 14 de novembro, com “sangue nos olhos”: foi 1 segundo e 6 décimos mais veloz que Senna, uma eternidade mesmo para os padrões da época. Aquele foi o primeiro duelo entre os dois brasileiros na pista. Senna e diversos dirigentes da Brabham da época, incluindo Ecclestone, alegaram anos depois que Piquet vetou o nome de Ayrton para a equipe em 84, apelando, inclusive para a patrocinadora do time, a Parmalat. Piquet nega essa versão.

7) A molecagem de Berger

Senna e Berger - Jason Reed/Reuters - Jason Reed/Reuters
Imagem: Jason Reed/Reuters

Gerhard Berger não foi somente um companheiro de equipe leal a Ayrton Senna. Foi um grande amigo do piloto em sua trajetória na F1. E costumava fazer muitas molecagens com o brasileiro, que retribuía. A mais famosa, segundo a biografia “Ayrton, O Herói Revelado”, ocorreu na Itália, em 1991. Senna havia acabado de comprar uma pasta executiva de 8 mil dólares, da qual se gabava. De acordo com Berger, o brasileiro citava até um comercial americano que mostrava um elefante em cima da pasta, para provar sua resistência.

Senna, Berger, Ron Dennis e a mulher do dirigente estavam num helicóptero, pilotado pelo brasileiro. Quando ele se preparava para pousar, Berger abriu a porta atirou a pasta na direção do heliporto, de uma altura de aproximadamente 150 metros, sem Senna perceber. Após o pouso, ele não encontrava a pasta dentro do helicóptero, que logo depois foi entregue por um funcionário do heliporto.

Senna demorou um pouco para entender o que havia acontecido, mas logo sorriu para Berger, ao perceber a brincadeira. A pasta ficou intacta, mas as canetas guardadas nela explodiram e borraram documentos do brasileiro, que, horas antes, havia fechado com Ron Dennis os termos do contrato com a McLaren para 1992.

8) Sem freio. E ninguém acreditou 

Senna vinha dominando a temporada de 1982 da Fórmula Ford 2000, categoria inglesa de acesso. E todos já tinham se acostumado à forma avassaladora como ele vencia corridas sem dar chances aos rivais. Só que tudo pareceu diferente na etapa de Snetterton, em 9 de abril. O brasileiro largou na frente, mas não conseguiu abrir a usual vantagem para os rivais. Na segunda volta, caiu para sétimo. Mesmo assim, não quis entrar para os boxes, nem sinalizou qualquer problema. 

Só que não demorou para ele começar a se recuperar e passar cada adversário novamente. Retomou a ponta e venceu a corrida. Senna parou o carro 300 metros depois da linha de chegada e deu a explicação para o comportamento estranho: “Eu estava sem freio”. Em um primeiro momento, poucos acreditaram. Mas não custa nada checar, certo? Quando sua equipe examinou o carro, perceberam que uma farpa de metal, resultado de uma batida entre outros pilotos ainda na largada, inutilizou os freios dianteiros.

9) Bom na pista, ruim no videogame

Ayrton Senna deu nome ao game Super Monaco GP II, lançado em 1992 para consoles Sega, como Master System, Mega Drive e o portátil Game Gear. O piloto era o único personagem real da F1 da época representado no jogo. Mas como ele se saía? Não muito bem, segundo seu sobrinho, Bruno Senna, relatou ao UOL Jogos no último mês de fevereiro.

“Ele trouxe o Mega Drive do Japão e era muito legal, diferente do que tinha na época. O mais legal era jogar com ele e dar pau nele, porque a gente sabia que na pista não dava para dar pau nele. Ficava puto da vida, achando que a gente estava tirando sarro da cara dele, mas é que ele não jogava muito bem mesmo”, conta o sobrinho.

10) Cabrini e a merchan de Senna

O profissionalismo nos contratos de marketing nem sempre eram a tônica nos acordos de Senna. Em 1991, por exemplo, ele fechou um acerto informal com a Antarctica para fazer merchandising do guaraná, com a participação do então repórter do SBT Roberto Cabrini.

O jornalista não tinha verba para uma produção muito grande e sofria com a exclusividade que a Globo tinha na cobertura da F1. Mesmo assim, foi ao Japão sem câmera, microfone ou equipe e, com equipamento alugado, gravou entrevistas com Senna de forma improvisada, com o piloto sempre tendo uma lata do refrigerante nas mãos. Para a produção, Cabrini contou com ajuda do primo de Ayrton, Fabio Machado, que segurava o pau de luz, e do sócio do piloto, Ubirajara Guimarães, que carregou a câmera.

Histórias retiradas de reportagens da BBC, do UOL Jogos, do site oficial da McLaren e da biografia “Ayrton, o Herói Revelado” (Ed. Objetiva, 2004), do autor Ernesto Rodrigues

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