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Tales Torraga

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Brigas e erros intencionais: os "causos" do árbitro argentino mais polêmico

Ex-árbitro Pablo Lunati em entrevista à TV argentina - Reprodução
Ex-árbitro Pablo Lunati em entrevista à TV argentina Imagem: Reprodução
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

03/05/2021 12h00

Pouco conhecido no Brasil, o ex-árbitro argentino Paulo Lunati é considerado no país vizinho o personagem mais polêmico da função nas últimas décadas. Com um visual andrógino e uma torcida declarada ao River Plate, ele trabalhou no futebol por 12 anos (de 2004 a 2016, sendo árbitro Fifa de 2007 a 2012). Já foi visto nas arquibancadas do Monumental de Núñez mesmo durante sua carreira de árbitro e fez, na mesma época, uma tatuagem gigante do técnico Marcelo Gallardo em sua coxa.

Ele está com 53 anos e acaba de dar uma reveladora entrevista ao canal de TV TyC Sports. A coluna reproduz agora seus "causos" mais chamativos:

Pênalti de presente a Simeone
"Saí na capa do [jornal] Olé. Era só um 'penaltizinho' para ele se aposentar. Não influenciava em nada de nada. Um pênalti que normalmente não daria. Mas ele se aposentava do Racing, começaria como técnico, tenho até a camisa dele desse dia [era pelo Campeonato Argentino de 2006, terminou 2 a 2 entre Racing e Colón, com Simeone marcando o último gol de pênalti]."

Ajudava o River em campo
"Uma vez deixei de dar cartão amarelo a Almeyda [volante do River]. Ele deveria receber amarelo, mas deixei passar para jogar a partida pela permanência na Primeira Divisão, contra o Belgrano. Não fiz só com ele. Fiz com vários, e não só do River. Era um árbitro que deixava o jogo seguir. Usava o sentido comum."

Torceu para o Boca errar pênalti
"Dirigi o último superclássico com torcida visitante no Monumental [2 a 2, em 2012]. Dei um pênalti justo para o Boca quando estava 2 a 0 para o River. E eu por dentro dizia 'vai errar, vai errar'. E como não iria dizer? Isso não tem nada a ver com errar dentro de campo."

Saiu na mão com Verón
"Foi na Sul-Americana em um Estudiantes x Arsenal [em 2011]. Na saída do jogo, nos vestiários, ele me disse algo fuleiro e respondi com outra coisa fuleira. Saímos na mão e tudo bem. Quando se decide brigar, está resolvido, se você apanha ou bate é apenas um resultado. Briguei com outros, como não vou brigar?, mas com Verón foi só esta vez. Sou um cara difícil, mas se você conversa comigo, fica tudo bem. Mas Verón é só um cara difícil."

Diarreia em pleno jogo
"Não aguentava do estômago, me sujei todo quando eram 20, 25 do primeiro tempo. Um jogo do Unión contra o Atlético Rafaela, em Rafaela. Não dei cartão amarelo, não assinalei nada, não queria nem passar perto dos jogadores. Cheguei ao vestiário e precisei tomar banho. Reações do corpo humano, o que vou fazer? Trabalhei em 500 jogos e só me aconteceu uma vez, vida que segue."