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Tales Torraga

REPORTAGEM

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René Pontoni: como ídolo do papa no San Lorenzo foi parar na Portuguesa

Argentino René Pontoni, ídolo do papa Francisco jogou no San Lorenzo e na Portuguesa - Reprodução El Gráfico
Argentino René Pontoni, ídolo do papa Francisco jogou no San Lorenzo e na Portuguesa Imagem: Reprodução El Gráfico
Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

05/04/2021 12h00Atualizada em 05/04/2021 12h26

O San Lorenzo que recebe amanhã (6) o Santos pela pré-Libertadores é famoso no mundo todo por contar com a torcida do papa Francisco. E o ídolo de infância de Jorge Bergoglio era o atacante René Pontoni, estrela do clube portenho e da seleção argentina nos anos 1940.

Pontoni brilhou pelo San Lorenzo na dianteira chamada de "terceto de oro", com Farro e Martino, ganhando o Campeonato Argentino de 1946 com 90 gols em 30 jogos. Só Pontoni fez 20, e o encanto do hoje papa com o artilheiro foi relembrado até quando ele encaminhou uma carta ao clube em 2013.

O atacante sofreu uma grave lesão em 1948, arrebentando a perna direita em dividida com o zagueiro De Zorzi, do Boca Juniors. Levou um ano para se recuperar e voltar a jogar na Colômbia, que oferecia os maiores salários de então. Ficou lá de 1949 a 1951, e em março de 1952 chegou a São Paulo para defender a Portuguesa, aos 32 anos.

Não há registros da sua chegada à Portuguesa nos arquivos da revista argentina El Gráfico ou nos jornais de São Paulo, mas sim relatos dos seus gols pela Lusa (foram cinco em 17 jogos). "Ele sabia que estava no fim da carreira e queria viajar o máximo que conseguisse", contou à coluna René Pontoni, neto homônimo do goleador e dono da pizzaria La Guitarrita, criada pelo avô nos arredores do Monumental de Núñez. É uma visita obrigatória, com comida excelente e parede forrada de memorabilia de futebol.

"Quem conheceu meu avô sabia que ele usava o futebol para fazer amizades e viajar o mundo. Era o que hoje chamam de 'espírito livre', sempre com muita gente ao redor, muitos amigos, até dos times adversários, imagine que o zagueiro que o quebrou ia visitá-lo quase todos os dias no hospital."

"De São Paulo, lembro quando ele falava que o time era muito bom e que a cidade era muito gostosa, cheia de italianos, de boa comida, se era assim nos anos 1950, imagino hoje", segue o Pontoni neto. "Como meu avô era inquieto e gostava de sair, com certeza pôde conhecer bem a cidade", finalizou, rindo.

Dos melhores times do mundo

A Portuguesa que recebeu Pontoni em 1952 foi a melhor Lusa de todos os tempos e, sem exagero, dos melhores times do mundo da época, ganhando competições no Brasil (Rio-SP de 1952 e 1955) e no exterior, cedendo à seleção brasileira da Copa de 1954 três jogadores (Julinho, Djalma Santos e Brandãozinho), além de outros dois recém-saídos (Pinga e Cabeção).

Dos cinco gols de Pontoni pela Portuguesa, dois foram contra o forte Palmeiras, outro esquadrão. As últimas redes balançadas pelo atacante em toda sua carreira foram exatamente pela Lusa, em um amistoso em Birigui, 2 a 2 contra o Bandeirante em 8 de fevereiro de 1953.

Seu cartaz com os portenhos era tamanho que ele foi tratado pela revista El Gráfico da seguinte maneira: ''Foi o atacante mais sutil, preciso e brilhante da história argentina'', cravou a revista em 1975, escalando-o na seleção azul e branca de todos os tempos.

Pontoni morreu de enfarto em 1983, longe do agito de Buenos Aires e São Paulo, na pacata Santa Fe onde nasceu. Tinha 63 anos.