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A confusão de Iga: o 'problema bom' da número 1 do mundo

Iga Swiatek na terceira rodada de Wimbledon 2022 - Reuters
Iga Swiatek na terceira rodada de Wimbledon 2022 Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

03/07/2022 04h00

Comecemos por Iga Swiatek, que viu desabar sua série de 37 jogos sem perder diante de uma Alizé Cornet impecável e implacável. A número 1 do mundo, que já havia deixado a desejar na rodada anterior, fez um péssimo começo de partida neste sábado, e tudo desandou como consequência disso.

Taticamente, Iga vinha sendo bastante agressiva em toda sua série invicta. No All England Club, contudo, a polonesa teve problemas para controlar a bola tanto nos treinos quanto nas partidas. Por isso, quando as começaram a dar errado contra Cornet, Iga decidiu dar um passo atrás e jogar de forma mais conservadora, trabalhando mais os pontos e correndo menos riscos.

O plano B até que deu certo por um tempo. Assim, Iga devolveu uma das quebras, conquistou mais um break point (não convertido) no primeiro set e saiu na frente na segunda parcial. Entretanto, quando Cornet conseguiu imediatamente devolver a quebra, Iga se perdeu completamente e perdeu seis games seguidos até ser eliminada de Wimbledon.

Iga teve um problema que só a minoria dos tenistas enfrenta. O dilema entre que plano adotar durante a partida. Admitiu após o jogo que ficou confusa. "Aqui eu não conseguia controlar a bola." ... "Quando você joga com agressividade e, de repente, muda a maneira de jogar, não é fácil seguir assim." A conta chegou.

A número 1 do mundo foi vítima de sua própria versatilidade. Na dúvida entre o que fazer, não executou nem um nem outro decentemente. o chamado problema bom, como diria algum técnico de futebol, mas que deve atrapalhá-la vez por outra. Roger Federer sempre diz que, quando jovem, tinha tantas armas que não sabia quais nem quando usar e, por isso, perdia jogos para tenistas menos versáteis, mas que executavam muito bem o que podiam fazer - caso claro de Lleyton Hewitt, que levou vantagem sobre o suíço nos primeiros duelos.

Cornet foi consistente e, sobretudo, inteligente. Tirou vantagem disso como poucas. Fosse outra, atacaria loucamente e correria o risco de colocar Iga de volta no jogo. A francesa, porém, encontrou a medida certa entre a solidez e a agressividade em alta porcentagem.

Quanto a Iga, é justo esperar que ela viva esse dilema outras vezes e, a julgar pela sua evolução nos últimos anos, é bem possível que ela esteja mais bem preparada da próxima vez que isso acontecer. E o número 1 do mundo estará em boas mãos enquanto Iga seguir melhorando.

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