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'Quinto Set' é o melhor filme de tênis que você vai encontrar

Cena do filme "Quinto Set" - Reprodução/Netflix
Cena do filme "Quinto Set" Imagem: Reprodução/Netflix
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Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

08/10/2021 10h38

Não há muitos filmes de tênis por aí. Falo de filmes com roteiros originais que falem sobre o esporte. A maioria das produções disponíveis hoje são filmes biográficos, como "A Guerra dos Sexos", ou documentários propriamente ditos, como "Guillermo Vilas: Esta Vitória é Sua". Alguns raros têm o tênis como pano de fundo, como "Ponto Final: Match Point", de Woody Allen, e o sensacional "Pacto Sinistro", de Alfred Hitchcock. Mas histórias originais sobre tênis e tenistas são muito, muito raras.

Isso não tira o mérito do excelente "Quinto Set", produção francesa lançada este ano, pouco depois de Roland Garros, e que chegou à Netflix brasileira há pouco tempo. Trata-se, simplesmente, do melhor filme com roteiro original sobre tênis que você vai encontrar por aí. A película do diretor Quentin Reynaud, um ex-tenista (nada é por acaso!), mostra um lado do esporte que a maioria não conhece e, ao mesmo tempo, mantém-se fiel às minúcias do tênis, o que vai agradar aos fãs mais hardcore do esporte.

As cenas de tênis são gloriosas. Às vezes com a câmera atrás do jogador durante os pontos, em takes nervosos, às vezes como transmissão de TV, "Quinto Set" brilha onde "Wimbledon: O Jogo do Amor" falhou feio. Comparar os filmes é até injusto. Embora ambos adotem um veterano em fim de carreira como protagonista, Wimbledon segue uma fórmula hollywoodiana de comédia romântica, enquanto o filme francês tem outra proposta. "Quinto Set" é, ao mesmo tempo, filme esportivo, thriller e drama familiar. Aqui não há diálogos rápidos e piadinhas prontas. Pelo contrário. Em muitos momentos, Reynaud aposta em longos trechos sem diálogo, com a câmera fechada no protagonista e em seus dilemas.

Não precisa ser fã de tênis para se interessar pela narrativa, que acompanha o francês Thomas Edison, 37 anos, já fora do top 200, lutando para furar o quali de Roland Garros e esticar uma carreira que não vem dando alegrias. Ao mesmo tempo, tem que lidar com dívidas, a vontade da esposa de finalmente deixar a vida de mulher-de-atleta e focar em seus próprio objetivos, sem falar em uma relação conturbada com a mãe e a memória de uma doída derrota que lhe impediu de enfrentar Gustavo Kuerten na final de Roland Garros em 2001.

Em resumo, "Quinto Set" tem um roteiro bem amarrado, cenas bem dirigidas e atuadas, e jogos de tênis bem filmados e com situações que vão lembrar os fãs de momentos familiares. Tudo isso enquanto mostra com fidelidade os bastidores de um esporte pouco retratado pela sétima arte. Coisa rara.

Coisas que eu acho que acho:

Sempre que escrevo sobre filmes, vem aquela enxurrada de pedidos de indicações sobre tênis, então deixo aqui alguns que estão entre meus preferidos, sem ordem alguma: Pacto Sinistro (Strangers on a Train, 1951), de Hitchcock, é um clássico; Wimbledon: O Jogo do Amor é divertido (Wimbledon, 2004), despretensioso e, claro, filmado em Wimbledon, o que faz valer a pena; 7 Dias no Inferno (7 Days in Hell, 2015) é o que chamam de mockumentary - um documentário fictício - e é tão absurdo que acaba sendo engraçado, embora não seja um tipo de humor unânime; A Guerra dos Sexos (Battle of the Sexes, 2017) não é brilhante, mas vale pela aula de história assim como When Billie Beat Bobby (2001), que conta a mesma história; e dá para dizer o mesmo de Borg vs McEnroe (Borg, 2017)

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL