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Djokovic supera dores, bate Carreño Busta e vai à semi em Roland Garros

Getty Images
Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

07/10/2020 16h49

Por cerca de uma hora, o cenário não parecia nada bom para Novak Djokovic. O sérvio entrou na Quadra Philippe Chatrier com o pescoço enfaixado, sacando mal e queixando-se de dores no braço esquerdo. Só depois de perder o primeiro set para o espanhol Pablo Carreño Busta é que o número 1 do mundo, aos poucos, começou a encontrar seu tênis habitual. Deu tempo de elevar o nível, se recuperar na partida e anotar uma bela vitória de virada por 4/6,6/2, 6/3 e 6/4 que lhe rendeu um lugar nas semifinais de Roland Garros.

Djokovic agora soma 36 vitórias e uma derrota na temporada. O revés aconteceu diante do mesmo Carreño Busta, nas oitavas de final do US Open. Naquela ocasião, o espanhol liderava o primeiro set por 6/5 quando o sérvio acertou uma bolada no pescoço de uma juíza de linha e foi desclassificado.

Nole agora está a duas vitórias de seu 18º título de slam em simples. Ele já disse que pretende superar o recorde de Roger Federer, que tem 20 conquistas (Nadal é o segundo da lista, com 19). O próximo adversário do número 1 do mundo será o grego Stefanos Tsitsipas, que superou o russo Andrey Rublev por 3 sets a 0: 7/5, 6/2 e 6/3.

Djokovic e Tsitsipas já se enfrentaram cinco vezes, e o sérvio venceu três, inclusive o último duelo, que foi a final do ATP 500 de Dubai deste ano. A semifinal de Roland Garros, marcada para sexta-feira (SporTV e Bandsports exibem ao vivo), será o segundo encontro deles no saibro. Eles fizeram a final do Masters de Madri, no ano passado, e Nole venceu por 6/3 e 6/4.

Como aconteceu

A partida começou muito parecida com a do US Open. Longas trocas de bola e tenistas testando sua consistência. Logo ficou claro que Djokovic enfrentava problemas físicos. O sérvio entrou em quadra com uma fita fisioterápica na parte de trás do pescoço e tinha problemas com o primeiro serviço. Em todo primeiro set, teve apenas 40% de aproveitamento. Carreño Busta se aproveitou e saiu na frente, com uma quebra no quinto game. Djokovic, que em uma virada de lado socou repetidas vezes seu braço esquerdo, até devolveu a quebra - cortesia de uma dupla falta do espanhol - mas não conseguiu tomar a dianteira. No nono game, Carreño Busta voltou a quebrar o serviço do número 1 e, na sequência, fechou o set em 6/4.

Antes do segundo set, Nole recebeu tratamento médico no braço esquerdo, mas seguiu jogando abaixo de seu nível normal. No terceiro game, escapou de dois break points - inclusive com um smash fraquíssimo, que evidenciou seu problema no pescoço. Carreño Busta pagou caro pelas chances perdidas. Logo no game seguinte, foi quebrado. Aos poucos, Djokovic foi se soltando em quadra e reduzindo seus erros. Aumentou o aproveitamento de primeiro serviço para 70% e não cedeu mais break points. Com outra quebra, fez 6/2 e empatou a partida.

Nole parecia ter o jogo nas mãos quando abriu 3/0 no terceiro set, mas ambos oscilaram muito na parcial. Carreño Busta reagiu, empatando em 3/3 e teve até um break point para fazer 4/3. No entanto, perdeu a chance quando arriscou uma direita na paralela. Djokovic confirmou o saque e fez um belíssimo oitavo game para, mais uma vez, vencer o game de serviço do espanhol. Finalmente, no nono game, o número 1 fechou a parcial em 6/3.

Carreño Busta não desanimou e seguiu lutando, mas o jogo já não lhe era tão favorável. Djokovic quase sempre tomava a iniciativa nos pontos, atacando antes do rival. Além disso, quando o espanhol se mostrava sólido, o sérvio recorria a excelentes curtinhas. O desafiante salvou quatro break points no terceiro game e manteve a parcial equilibrada, mas não resistiu no sétimo. Novamente com o saque ameaçado Carreño Busta errou uma bola fácil junto à rede e deu a vantagem para Nole. O drama não havia acabado, e Djokovic anda precisou salvar três break points para fazer 5/3, mas foram as últimas chances do espanhol.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, Djokovic e Tsitsipas se enfrentarão pela segunda vez no saibro. Eles fizeram a final do Masters 1000 de Madri, em 2019.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.