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Tenistas brasileiros fazem investimento milionário em empresa de Tom Brady

Instagram/@tombrady
Imagem: Instagram/@tombrady
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

15/07/2020 04h00

Eles fizeram sucesso e dinheiro com o tênis e agora, depois dos 30, começam a buscar em outras áreas uma maneira de multiplicar o que conquistaram no esporte. Thomaz Bellucci, Bruno Soares, André Sá e Márcio Torres fizeram recentemente um investimento milionário na Religion of Sports, uma produtora de documentários esportivos capitaneada por Tom Brady, quarterback do Tampa Bay Buccaneers e seis vezes campeão do Super Bowl.

A iniciativa partiu de Torres, empresário do trio de tenistas, que foi procurado pela Elisian Park, uma firma de investimentos privados que conduziu a Series A de captação, que totalizou US$ 10 milhões. Torres foi responsável por reunir um grupo de investidores - a maioria, brasileiros - que entraram com 20% desse valor, o que equivale a perto de R$ 11 milhões. O ex-top 10 Fernando Verdasco e o apresentador da Globo Felipe Andreoli também estão no grupo.

"Eu digo que são friends and family. São amigos próximos, várias pessoas que eu não posso falar o nome porque são presidentes de empresa e fundos, mas o grupo é bem legal. Foi relativamente rápido [reunir os investidores] pelo tipo de empresa e pelo que eu contribuo no negócio. Minhas conexões, minha expertise e tal. A dificuldade foi a pandemia. A gente fez isso mês passado [junho], em duas-três semanas, no meio da pandemia e o dólar a R$ 6. O cara que põe US$ 100 mil, são R$ 600 mil, é muito dinheiro", contou por telefone Torres, que é CEO da Linkin Firm e também agencia as carreiras de Thiago Monteiro, Bia Haddad Maia, Teliana Pereira e outros tenistas.

O investimento é considerado de médio e longo prazo e aposta tanto no sucesso de documentários esportivos recentes, como Tom vs. Time, sobre Tom Brady e produzido pela própria Religion of Sports (RoS), como na expansão do mercado de conteúdo sob demanda em plataformas de streaming.

"A empresa já fez vários documentários de sucesso. Tem risco como tudo na vida, mas a gente acredita muito na equipe da Religion of Sports. Também há uma demanda muito maior, que não existia quatro-cinco anos atrás, de conteúdo digital porque as plataformas estão muito boas: DAZN, Amazon, Netflix, HBO, Showtime... A gente vendeu Serena, Kobe Bryant e Kelly Slater para a HBO. Vendemos o Tom Brady para a ESPN. Cada plataforma tem o seu timing, o tamanho do cheque, então depende, mas a demanda para esse tipo de conteúdo está aumentando mundo", explicou o empresário.

A Religion of Sports tem no currículo, além de Tom vs. Time, que foi ao ar pelo Facebook Watch, os documentários Stephen vs. The Game (Facebook Watch), Why We Fight (ESPN+), Shut Up and Dribble (produzido por LeBron James e exibido no Showtime), Headstrong (NBC Sports), Kobe Bryant's Muse (Showtime) e Greatness Code (Apple TV+).

A variedade de plataformas, obviamente, ajuda o negócio da RoS e, consequentemente, o investimento dos tenistas brasileiros. Com o esporte valorizado, todos que entregam conteúdo ao consumidor querem uma fatia do bolo. E quanto mais compradores, melhor para quem produz conteúdo de qualidade como a Religion of Sports.

O alto valor do esporte ao vivo na TV

"Esporte ao vivo é a única coisa que se você não vê e sai no Twitter, você vai perder emoção. Se você é flamenguista e vai fazer um churrasco na sua casa na final da Libertadores, a galera vai. Vai mulher, vai criança. O esporte une. A maior festa dos EUA é o Super Bowl. É por isso que os comerciais dos grandes eventos valem muito. Então há uma demanda por esportes, os preços de contratos de grandes eventos sobem, consequentemente sobe o valor do comercial e cresce a necessidade das plataformas on-demand de falar dos grandes feitos e dos grandes atletas. Isso não havia. Cinco anos atrás, não existia Netflix no Brasil", lembra Torres.

A disputa pelas plataformas por conteúdo de qualidade fica mais evidente no mercado dos Estados Unidos, onde o poder aquisitivo é maior e todo fornecedor de conteúdo quer poder oferecer "aquele" produto específico que vai fazer alguém pagar pelo canal.

"Aqui nos EUA tem muita série boa. Eu pago US$ 10 por mês para o Showtime porque eles têm uma série que chama Billions que eu adoro. Se eu não pagar, eu não vejo! Então qual é a briga das plataformas? Lançar algo que vai fazer o cara assinar a plataforma por causa de um produto! E aí, 'já que eu paguei, deixa eu ver o que tem aqui. Ah, tem outra série legal. Tem o documentário do Stephen Curry. Legal. Aí tem o Kelly Slater também. Aí tem outra série que minha mulher gosta.' Passaram seis meses, você está pagando o negócio e vai pagar para o resto da vida. Essa é a briga das plataformas."

Objetivo: ganhar 10 vezes o que foi investido

Bruno Soares já tem certa experiência com documentários. Em 2019, em parceria com o Grupo LX, produziu uma série de cinco capítulos sobre sua carreira. O material está disponível atualmente no DAZN. O mineiro de 38 anos, atual #25 do mundo no ranking de duplas, está confiante no negócio.

"O que mais me motivou é a gente estar associado a algo que a gente acredita muito, que é a área de entretenimento, e principalmente a área de entretenimento no esporte. É uma área que eu gosto muito e para a gente é uma grande oportunidade estar ligado a nomes como o Tom Brady e da turma que está envolvida na Religion of Sports. O grupo que a gente formou é muito forte, de pessoas muito bem sucedidas nas suas áreas, e é sempre importante esse tipo de relacionamento. O Márcio fez um grande trabalho em juntar todo mundo, então para a gente foi uma grande oportunidade de investir em um negócio de muito potencial e que a gente acredita demais."

A intenção, segundo Torres, é conseguir um retorno de pelo menos dez vezes o valor investido: "Um fundo, se fizer um investimento que não recupera dez vezes o valor dele entre quatro e sete anos, teoricamente fez um mau investimento. Isso é regra mundial. Um belo investimento rende entre 12 e 14 vezes. Nós estamos nessa ideia de ganhar, no mínimo, dez vezes o que a gente investiu entre quatro a sete anos.

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