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É melhor se acostumar com a arrogância de Jorge Jesus

Jorge Jesus orienta o Flamengo em semifinal da Taça Guanabara contra o Fluminense - Thiago Ribeiro/AGIF
Jorge Jesus orienta o Flamengo em semifinal da Taça Guanabara contra o Fluminense Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Arnaldo Ribeiro e Eduardo Tironi

Dar continuidade, atualizar e incrementar o "Posse de Bola" com informações quentes e análises ao longo da semana -- com a chancela da dupla que criou o Podcast, trabalhou junta desde os primórdios no Notícias Populares, passando pela ESPN, e hoje tem um canal no Youtube.

13/02/2020 14h34

As declarações de Jorge Jesus após a vitória do Flamengo contra o Fluminense provocaram reações negativas. O português foi chamado de arrogante.

JJ falou frases como estas:

- Nosso adversário queria vencer o título, mas estamos em outro patamar, como diz o outro.

- Você vê alguma equipe no Brasil jogar como o Flamengo jogou nos primeiros 60 minutos? Nenhuma.

- O Flamengo durante uma hora foi uma equipe de alto nível com os dias que tem de trabalho. Foi nosso terceiro jogo, o Fluminense fez o oitavo. Não demos hipótese alguma ao Fluminense. Fizemos três gols, o Fluminense fez um de bola parada e depois o árbitro quis que o Fluminense entrasse no jogo. Jogar no nível que o Flamengo jogou hoje é muito difícil de parar.

Quem ficou incomodado com as palavras do treinador do Flamengo deve se acostumar. O anormal no caso dele foi o seu temperamento mais reservado, mesmo quando foi provocado por Renato Gaúcho ano passado. Quem explica é o jornalista Bruno Andrade, repórter do jornal português "A Bola" e comentarista do Canal 11:

- Jorge Jesus sempre foi um treinador marcado por ser egocêntrico e até certo ponto arrogante. Quando está ganhando, então, muitas vezes ultrapassa do limite do bom senso - isso foi visto muitas vezes no Benfica. Passou a controlar melhor esse lado depois da rápida passagem pela Arábia Saudita, onde aprendeu que "não vale tudo para vencer" (palavras dele próprio). Quando chegou ao Brasil, prontamente tirou um pouco o pé, visto que entendeu que era o "intruso" naquele momento. Sabia que o ideal era ficar calado até começar a ganhar, mesmo tendo sofrido tanta pancada. Agora, em alta e com aquilo tudo guardado, aos poucos volta a ser o Jorge Jesus de sempre: diferenciado dentro de campo, muito polêmico fora dele.

Nada contra a arrogância sincera. É melhor isso à humildade falsa. E, por enquanto, JJ pode dar as cartas. Seu time é o melhor do Brasil e não vê adversários próximos neste momento.

Em vez de espernear, é melhor se acostumar com a "arrogância" de JJ. Ele está podendo.

Por Eduardo Tironi

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