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Newsletter: Brasil manda elite ao Pan e aproveita ausência de astros rivais

Esta é parte da versão online da newsletter Olhar Olímpico enviada hoje (24). A newsletter completa traz ainda alguns destaques da campanha brasileira no Pan de Santiago, como o grande resultado de João Victor Macari, o filho da ex-jogadora Hortência, no hipismo; as duas medalhas raras da esgrima; e a longevidade de Jade Barbosa na ginástica artística. Quer receber antes o pacote completo, com a coluna principal e mais informações, no seu e-mail, na semana que vem? Clique aqui e se inscreva na newsletter. Para conhecer outros boletins exclusivos, assine o UOL.

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Uma parte significativa do sucesso do Brasil no quadro de medalhas dos Jogos Pan-Americanos se deve a uma atenção maior do que a dos rivais a provas onde o calendário não ajuda. No vôlei e no basquete, por exemplo, EUA e Canadá nem quiseram participar de um Pan no meio da temporada de clubes e do esporte universitário.

No atletismo, o Time Brasil só tem dois desfalques por opção, além de outros por lesão, enquanto basicamente todos os outros países, mesmo os menores, pouparam seus melhores atletas em um período onde eles estão ou de férias ou em pré-temporada, já visando Paris-2024.

Fugir do Pan é regra

Para pegar um exemplo quente: nos 100 m rasos, Ana Carolina Azevedo é a 68ª melhor das Américas no ranking mundial, mas hoje à noite vai correr a final como forte candidata a uma medalha, e nem precisará dar show para isso. Dos oito países que têm atletas com tempos melhores do que da brasileira, seis não enviaram ao Pan suas melhores velocistas.

A lista tem Santa Lúcia, Bahamas, Trinidad & Tobago, Ilhas Virgens Britânicas e Equador, por exemplo, países que não ganham medalhas no Pan toda hora. A Jamaica escolheu sua 56ª melhor velocista, e o Canadá nem se deu ao trabalho de vir. Os EUA até mandaram uma espécie de time F, que seria suficiente para ganhar ouro e prata, mas elas se mostraram fora de forma.

Nos 400 m masculino, só um dos 50 corredores do continente em 2023 veio ao Pan: o brasileiro Lucas Carvalho. A relação inclui vários norte-americanos e jamaicanos, é verdade, mas tem também outros oito países, que preferiram não vir ao Pan.

Brasil pensa e age diferente

Como toda a regra tem sua exceção, o Brasil é ela. E não só no atletismo.

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Como os critérios de distribuição de recursos do Comitê Olímpico do Brasil (COB) são os mesmos para todas as modalidades, todas, sem exceção, tentaram trazer a Santiago o que tinham de melhor. Mesmo quando isso atrapalha a preparação para outras competições.

Na canoagem velocidade, o Pan vai ser só mais um dia de treino para Isaquias Queiroz. "Dessa vez não vai ser tão fácil, pois não treinamos focados para este campeonato e sim para as Olimpíadas. Mas vamos dar nosso máximo como sempre em busca do ouro", postou no Instagram. Seria mais fácil não vir, mas a cultura do Pan está presente nas confederações e nos atletas.

Chuva de ouros

E isso já influenciou mesmo os profissionais.

No skate, só Kelvin Hoefler, entre os quatro brasileiros mais bem posicionados no ranking mundial, um por prova, não veio a Santiago.

No surfe, a convocação masculina privilegiou os amadores, mas Tati Weston-Webb veio ao Chile, já classificada à Olimpíada, e ganhou o ouro.

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No tênis, fazia sentido a presença de Laura Pigossi, que se classificou a Paris, e de Thiago Monteiro, bem posicionado na lista de espera. Mas Luisa Stefani era visivelmente melhor que o resto. Só veio por causa dessa cultura de valorização do Pan no Brasil.

Os reflexos no quadro de medalha são óbvios. Só o tênis ganhou três medalhas de ouro. O skate, duas. Tati, mais uma. O vôlei feminino foi prata, porque a República Dominicana veio ainda mais forte, e o basquete feminino, ouro. E nas competições masculinas, a tendência é de mais dois ouros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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