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OPINIÃO

Batalha nos bastidores do UFC indica encruzilhada para Charles do Bronx

Charles do Bronx dá entrevista após finalizar Justin Gaethje no UFC 274, no Arizona Imagem: Chris Unger/Zuffa LLC
Diego Ribas

Colunista do UOL

28/06/2022 04h00

Os rumores sobre os próximos passos para a carreira de Charles 'Do Bronx' já começaram. E, ao que tudo indica, uma verdadeira batalha nos bastidores do UFC teve início e será fundamental não apenas para definir o futuro do atleta na organização como também para balizar o poder de barganha que o peso-leve (70 kg) tem no evento.

Após finalizar Justin Gaethje no primeiro round do combate disputado em maio passado, Charles deixou o octógono sem o cinturão, mas oficializado como o 'desafiante número um' ao posto que segue vago. Para sua próxima luta, então, poucos nomes fazem sentido, e o problema passaria a ser o local e data para que Do Bronx disputasse o título que já foi seu - e que não foi perdido no cage.

Enquanto Conor McGregor ainda se recupera de uma lesão e acumula duas derrotas seguidas, Beneil Dariush, outro nome possível, não luta há mais de um ano. Sendo assim, Islam Makhachev, número quatro do ranking da divisão (o primeiro dentre os que ainda não enfrentaram Charles), acaba se tornando o adversário natural para o duelo. E em seu cronograma, o russo já acena para que o confronto seja realizado no dia 22 de outubro, em Abu Dhabi. Mas é aí que os impasses começam.

Apesar de, tecnicamente, não ser o campeão, Do Bronx foi o último dono do título dos leves do UFC e, ao menos em teoria, tem o direito de disputar o cinturão no Brasil ou em território neutro - e Abu Dhabi está longe de significar neutralidade. Além de contar com o apoio massivo da torcida local, Makhachev também sofreria menos com fuso horário e mudanças de clima e alimentação. Tudo isso sem contar com o fato de que o brasileiro, que nunca competiu nos Emirados Árabes, se acostumou a competir nos últimos anos mais para o final da temporada, normalmente em dezembro.

Apesar do desejo do próprio Charles e de sua equipe de enfrentar Conor McGregor, não vejo nenhum outro oponente que faça sentido no momento além de Makhachev. Para piorar, o fato do título seguir vago tira da organização o poder de criar um título interino e postergar o retorno do brasileiro ao octógono. E, com esse cenário, o aspecto financeiro deve sacramentar as discussões.

Se o mercado brasileiro ainda segue como incógnita e um card de pay-per-view verde e amarelo deve sair do papel apenas em 2023, o show em Abu Dhabi já tem data marcada e, ao contrário do país que produz nomes como Glover Teixeira, Deiveson Figueiredo e Amanda Nunes, possui apenas uma opção para liderar a noite de lutas: Islam Makhachev.

Ou seja, ao menos com as cartas na mesa que temos até agora, Charles só não enfrenta o russo em outubro caso o UFC escale outro rival para enfrentá-lo por lá em uma disputa que não seja válida pelo cinturão. Ao mesmo tempo, Charles teria que ter um outro adversário também de peso para medir forças em uma disputa de título poucos meses depois.

Seja qual for a solução possível, se de fato o time de Do Bronx quiser evitar o confronto em Abu Dhabi como deixam claro seguidamente em entrevistas, isso só será possível com um belo trabalho nos bastidores do show. Chegou a hora do atleta mostrar o seu valor de campeão também fora do octógono.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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