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Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marília Ruiz: Os outros são os outros e só

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

02/12/2021 09h11

Um jeito raso de criticar o despreparo dos dirigentes esportivos é tachá-los de torcedores. Um erro. São apenas narcisistas, senhoras e senhores.

Torcedor que é torcedor sabe como chegar ao estádio sozinho (não precisa de escolta, camarote, segurança e área VIP), sabe escalar seus esquadrões e suas "selecinhas" (torcedor não lembra só dos craques e dos acertos), sabe quanto dói uma derrota (porque dói e tem que doer) e, nos dias seguintes à grandes tristezas, torcedor que é torcedor sai orgulhoso com sua camisa: orgulhoso de amar na dor, pronto para ser o escudo vivo da vergonha que jogadores/treinadores/dirigentes construíram.

E os dirigentes na dor? Aparecem? Falam? Assumem erros? Explicam?

Não. O silêncio é marca.

O assunto hoje claramente tem a ver com a postura rubro-negra pós-Libertadores, mas não é novidade. É comum a dirigentes de todas as cores.

"Na alegria e na tristeza; na saúde e na doença" é a marca do amor unilateral do torcedor. Só.

Os outros são os outros e só.

A demonstração de amor dos flamenguistas é sinal de amor dos flamenguistas.

Já o desaparecimento dos diretores, vices, presidente, gerentes, sobrinhos do dirigente e amigos do filho do tio do ex-conselheiro? Amor também. Mas amor próprio...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL