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Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marília Ruiz: Neymar, Messi e o teste de patriotismo

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

09/07/2021 00h39

Os talentos de Neymar são tantos que não cabem em uma coluna.

Defendo há muitos anos profissionalmente a tese que ele é o melhor jogador brasileiro que "surgiu" nesse século. De longe, aliás.

Falo isso desde antes de ele assinar um pré-contrato sigiloso com o Barcelona. Faz tempo! Faz tempo também que a Seleção é Neymar + 10 para o bem e para o mal. Os números dele com a camisa amarela, impulsionados sem falha pelas suas redes sociais com milhões de fãs, não deixam dúvidas sobre o tema. Faltam títulos de expressão (não, por favor, a medalha Olímpica do futebol masculino é assunto já gasto), mas quem nas redes se importa com detalhes: os mapas de calor dos inúmeros amistosos, os gols múltiplos, as campanhas quase impecáveis de Eliminatórias são suficientes para vocês da imprensa lotarem manchetes com enquetes sobre se ele é melhor do que Romário, Ronaldo, Zico... (tem gente bastante empolgada e criativa).

Agora, vejam, nosso adulto patriota está incrédulo com a possibilidade de brasileiros torcerem pela Argentina (ou por Messi).

Puxa, que horror.

"Vai para o c...", disse Neymar sobre brasileiros que torcem contra seleção em postagem para seu fã-clube no Instagram.

"Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Meu sonho sempre foi estar na seleção brasileira e ouvir a torcida cantando. Jamais torci, ou torcerei se o Brasil estiver disputando alguma coisa, seja lá qual foi o esporte, concurso de moda, Oscar, ou o c*** a quatro. Se tem Brasil, eu sou Brasil. E quem é brasileiro e faz diferente? Ok, vou respeitar, mas vai para o c***, né?"

Como meu jeito de respeitar inclui o direito de os outros pensarem diferente, prefiro o patriotismo do Messi. Parece-me mais genuíno. Do ponto de vista do futebol, também prefiro o Messi. Orgulho-me muito de pensar como o Tostão: sem modéstia, pensar como o Tostão me faz uma pessoa melhor.

"Messi é superior ao Neymar, mais completo", disse Tostão à emissora de rádio argentina nessa semana.

Superior, mais completo e, adiciono, bem mais educado. Prefiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL