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Marília Ruiz

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Votação adiada: Casares e Cunha falam sobre perda de mandato no Conselho

Marco Aurélio Cunha - Érico Leonan/saopaulofc.net
Marco Aurélio Cunha Imagem: Érico Leonan/saopaulofc.net
Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

30/06/2021 13h23

Seria decidido nesta quinta-feira, 1, o futuro de Marco Aurélio Cunha como conselheiro vitalício do SPFC. Motivado por uma denúncia de um sócio (leia mais abaixo), o Conselho Deliberativo do clube havia marcado uma votação que decidira pela perda do mandato do hoje também dirigente do Avaí.

A celeuma é longa, complexa, cheia de "agentes duplos" e cujo enredo parece lembrar os piores dias da política tricolor (assina essa frase a colunista Marília Ruiz, que já foi setorista do clube).

Notaram os verbos no pretérito imperfeito até aqui? Pois é.

Nada do que seria será.

A ideia é usar o caso de grande visibilidade da questão para mostrar a força de coalização da situação para pacificar o clube e tentar uma união maior interna. O pedido de adiamento foi feito hoje pelo conselheiro da situação Luiz Geraldo Lanfrede e foi deferido.

O presidente do clube, Júlio Casares, em entrevista exclusiva ao BLOG, viu a decisão como benéfica.

"Como presidente da diretoria, não é um assunto que eu possa interferir. É atribuição do CD. Mas pessoalmente acho que o São Paulo pode construir uma pacificação que pode ser muito benéfica ao clube. Ganha-se tempo para ampliar o debate e, quem sabe, estabelecer dosimetria nas penas desses e daqueles casos", disse Casares, que completa hoje 6 meses à frente do clube.

Procurado pelo BLOG, Marco Aurélio Cunha também comentou a surpresa pela decisão da suspensão da votação na véspera da reunião. "Não sei interpretar inteiramente essa decisão em cima da hora. Acho que mostra a força consistente da minha defesa", disse Cunha, alvo dessa questão desde que aceitou o cargo de coordenador técnico do Avaí em janeiro passado.

Cunha entrou então na mira "administrativa" de conselheiros da situação, que enxergaram na decisão uma infração ao artigo 10 do regimento interno do São Paulo. Textualmente, na alínea M, está prevista a proibição para qualquer membro eleito de qualquer poder do São Paulo de assumir cargo de direção em associação esportiva que dispute competição oficial de futebol profissional com o SPFC. A pena para quem não tenha se licenciado previamente é a perda do mandado.

A denúncia inicial, entretanto, não foi feita por um conselheiro, mas pelo sócio Luiz Fernando Rodrigues Pinto Júnior, que não se elegeu na eleição para o CD no ano passado por uma das chapas que apoiavam a situação. O pedido do procurador de Justiça foi protocolado tão logo as negociações entre Avaí e Marco Aurélio foram reveladas em janeiro e chegou à Comissão de Ética. Lá, em votação apertada (3 x 2) depois da apresentação da defesa de Cunha, ficou decido que o caso seria julgado pelo pleno do Conselho Deliberativo.

A decisão final do clube sairia amanhã em votação fechada virtual. São necessários 2/3 dos votos para exclusão do quadro de conselho vitalício. Cunha teria 20 minutos para se defender. Procurado pelo BLOG antes de saber da decisão pelo adiamento da votação, Marco Aurélio mostrou-se otimista.

"Vou falar, e meu advogado também falará. Estão muito claros o absurdo (da punição) e a perseguição. Estou neutralizando o efeito (da denúncia) junto aos conselheiros. Vou ganhar", disse com exclusividade.

Para o dirigente hoje no Avaí, que apoiou o oposicionista Roberto Natel na eleição presidencial do ano passado, a polarização da política do clube está por trás dessa situação.

"Sem dúvida que é isso."

E é pela política, exatamente, que o jogo mudou. Votação adiada. Caso (ainda) não encerrado.