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Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marília Ruiz: A difícil arte da moderação

Taça da Copa América - Divulgação/@CopaAmerica
Taça da Copa América Imagem: Divulgação/@CopaAmerica
Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

01/06/2021 14h19

Aiiiin, mas qual a diferença entre receber Copa América e receber rodadas de Libertadores?

Aiiiiin, por que pode shopping center e não pode beach tennis?

Aiiiiiin, por que vocês da imprensa não vão lamber sabão?

Depois de 15 meses dessa tragédia no nosso país, explicar que coisas diferentes precisam ser tratadas de forma diferentes é um exercício de paciência e de resiliência.

Explicar que um jogo de futebol não se resume a 22 jogadores e uma bola unidos durante 90 minutos era para ser uma coisa simples, mas virou tema de briga.

Explicar que na relação hierarquia das competições x preservação de empregos a onipresente (e dispensável) Copa América não deveria ser PRIORIDADE é tarefa impossível para quem acha que defender uma coisa ou outra é apenas um teste de caráter.

Sei lá onde nós perdemos o mínimo do bom senso, da tolerância e da capacidade de dialogar...

A Copa América no Brasil é um absurdo. Absurdo como falta de vacina, falta de auxílio (a Pessoas Físicas e Jurídicas), falta de emprego, transportes públicos lotados, etc, etc e tal. Na minha humilde opinião, o pior de tudo é observar que perdemos muitas vezes a capacidade de nos indignar: um absurdo não pode justificar outro.

Para cada "aaaaaiiiin, por que não deveria ter Copa América já que tem isso, isso e aquilo?", tentei achar uma boa justificativa para o "porque sim".

Não achei justificativa sanitária, não achei justificativa econômica (a não ser para os bolsos da Conmebol e das federações que ganham dinheiro com os jogadores pagos pelos clubes), e não achei justificativa esportiva relevante.

Sobre o Fla x Flu das opiniões, nosso forte não é mesmo a moderação. Fato. Mas também não precisa ser a insanidade.

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Sofrósina era a divindade grega que personificava a moderação, a discrição e o autocontrole. Como em tudo desde antes do nada, havia claro um Fla x Flu na mitologia grega! A rival de Sofrósina era a deusa Afrodite, que incitava paixões desenfreadas.

Nem preciso dizer qual das duas é a influencer mais famosa da antiguidade...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL