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Futebol brasileiro e seus dirigentes 'negacionistas'

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

30/03/2020 22h38

Tem mais gente lunática no Brasil do que o que mais habita as nossas manchetes neste triste tempo do coronavírus: os presidentes de federações e dirigentes de futebol que discutem a continuidade dos Estaduais. Lunáticos e irresponsáveis.

O mundo está parado, os países estão parados, os estádios estão sendo transformados em hospitais de campanha, a OLIMPÍADA (MAIOR EVENTO ESPORTIVO DO PLANETA) foi cancelada... Mas por aqui discute-se a "continuidade" e a "retomada" dos Estaduais com a maior naturalidade.

Acordem, senhores. Melhorem, senhores.

Discutam planos para ajudar os times pequenos, discutam bolsas para os atletas sem contrato, discutam um calendário para minimizar as perdas, convençam os jogadores que tem coisa mais importante do que o BBB, engajem seus torcedores na luta que precisa ser travada agora, preparem-se para uma recessão mundial.

Teremos poucos meses no segundo semestre para rodadas de futebol: isso em um cenário realista/otimista - não me cabe aqui discutir as análises técnicas de cientistas.

O mundo não está "pausado". Não será possível "retomar" nada (nem os nossos amados Estaduais) como se nada estivesse acontecendo/tivesse acontecido. Depois de todo esse tsunami, vamos acordar em um mundo devassado pela doença, pela crise financeira e por uma transformação das pessoas e das relações (financeiras, pessoais, comerciais, empresariais) que já está em curso.

É urgente que apareçam lideranças no futebol que entendam a gravidade da situação.

Mudar nosso calendário já era necessário antes. Agora é a única saída.

O Brasil é enorme. Os Estados possuem realidade diferentes.

A CBF precisa ajudar nessa articulação: alguns estaduais precisarão sem cancelados, mas será possível criar copas com os times que não estão nas divisões de elite para manter empregos (oferecendo os direitos de transmissão para aumentar a visibilidade e atrair patrocinadores).

O mundo não é o mesmo que viu futebol pela última vez há 15 dias. Não vamos aprender nada com isso?

É necessário analisar o que está acontecendo e desenhar uma saída! Parem de tocar violino!

Marília Ruiz