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Gabriel Vaquer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Por que Globo vive dificuldade para vender patrocínios dos Jogos Olímpicos

Galvão Bueno, principal nome do Esporte da Globo: narrador vai trabalhar na Olimpíada de Tóquio - Divulgação/Globo
Galvão Bueno, principal nome do Esporte da Globo: narrador vai trabalhar na Olimpíada de Tóquio Imagem: Divulgação/Globo
Gabriel Vaquer

Gabriel Vaquer cobre mídia esportiva desde 2014. No UOL Esporte, conta detalhes do evento onde seu time joga e onde seu profissional de TV esportiva favorito vai trabalhar.

Colunista do UOL

02/05/2021 04h00Atualizada em 03/05/2021 17h00

Nesta semana, a Globo fez um evento para apresentar a cobertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 ao mercado publicitário. A três meses do evento, o banco Bradesco e a marca de cosméticos Nivea haviam fechado acordo. Após a publicação da reportagem, a empresa de bebidas Ambev e a plataforma de streaming Netflix também fecharam acordo. Até aqui, são os únicos patrocinadores confirmados, exemplo de como a emissora tem encontrado dificuldades para vender as cotas.

A coluna apurou que, por causa do adiamento dos Jogos de 2020 para 2021 pela pandemia do coronavírus, a Globo cancelou os contratos fechados originalmente. No ano passado, além de Bradesco, Claro e Fiat haviam comprado cotas comerciais.

A emissora priorizou contato com antigos anunciantes, mas Claro e Fiat não quiseram reativar o investimento. A Nivea entrou no projeto após a realização da apresentação para o mercado. Nesta segunda (3). após a publicação, Netflix e Ambev compraram cotas e entraram no negócio, o que mostra que a Globo está correndo atrás.

Horário e incerteza da realização

O horário de grande parte dos Jogos de Tóquio, que serão transmitidos para o público brasileiro entre a madrugada e a manhã, assusta os publicitários. O temor é a audiência baixa, já que a maior fatia de telespectadores está ligada na televisão no período tarde/noite.

Outro ponto que pesa é a incerteza: o crescimento de casos de covid-19 no Japão, a lentidão na vacinação no país e a opinião pública majoritariamente em dúvida sobre a realização das Olimpíadas em julho ameaçam o evento. Mesmo assim, Comitê Olímpico Internacional (COI), comitê organizador japonês e governo do Japão seguem informando parceiros que os Jogos serão realizados.

Corrida para R$ 500 milhões

Para 2021, a Globo criou pacotes publicitários integrados com outras mídias. São três categorias: ouro (uma cota), prata (quatro cotas, duas para TV aberta e internet e duas para TV paga e internet) e bronze (duas para TV aberta e internet e outras três para TV paga e internet).

A cota ouro custa R$ 96,9 milhões e garante exposição total em todas as mídias —TV Globo, SporTV e internet. Essa é a que foi comprada pelo Bradesco. A Nivea comprou a cota prata, assim como a Ambev, que custa pouco menos de R$ 90 milhões e garante exposição em TV aberta e na internet. A Netflix comprou a cota bronze. Outras seis cotas ainda estão livres.

O valor total supera os R$ 500 milhões, mas, a 84 dias dos Jogos, a venda de todos os pacotes é uma corrida contra o tempo.

Procurada pela coluna, a Globo afirma: "Com relação ao plano dos Jogos Olímpicos 2020, no momento, estamos em negociação das cotas. Comunicaremos quem são os parceiros comerciais da Globo no momento oportuno."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL