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Fábio Seixas

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Na Áustria, Honda volta a flertar com a F1; veja programação do GP

Max Verstappen chega ao circuito de Spielberg acompanhado do pai, o ex-piloto Jos Verstappen -  Bryn Lennon/Getty Images/Red Bull
Max Verstappen chega ao circuito de Spielberg acompanhado do pai, o ex-piloto Jos Verstappen Imagem: Bryn Lennon/Getty Images/Red Bull
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

07/07/2022 09h51

Vencer uma corrida na F1 é uma façanha. Conquistar um campeonato é para poucos. Mas difícil, difícil mesmo, é entender as estratégias de negócios da Honda na categoria.

Pouco mais de seis meses depois de a montadora deixar oficialmente a F1 pela enésima vez, alguns de seus principais executivos estarão em Spielberg neste fim de semana. A comitiva será liderada por seu CEO, Toshihiro Mibe, e pelo presidente da companhia, Seiji Kuraishi.

Oficialmente, será uma visita de cortesia aos parceiros da Red Bull. Mas aprendi com um antigo chefe: "ou você é ingênuo ou você é jornalista". Na sexta, além do primeiro treino livre e da classificação para a corrida sprint do GP da Áustria, o circuito receberá uma reunião da Comissão de F1 da FIA que discutirá as regras para os motores a partir de 2026.

Todas as montadoras têm grande interesse no assunto.

O plano "Net Zero 2030", anunciado em 2021 e reforçado na semana passada, é música para os ouvidos de seus departamentos de marketing. Porque se apoia em dois pilares. O primeiro, a popularidade crescente da F1 no planeta. O segundo, uma ação efetiva de sustentabilidade.

O principal ponto do plano é introduzir um novo combustível sintético a partir de 2026, abandonando os de origens fósseis. Além disso, a categoria tem uma série de iniciativas para reduzir sua pegada de carbono em viagens pelo mundo. A produção das transmissões de TV passará a ser feito de forma remota, numa base fixa na Europa, e até mesmo os containers de transporte de equipamentos estão sendo redesenhados para se tornarem mais eficientes.

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Toshihiro Mibe, CEO da Honda, que estará no circuito de Spielberg neste fim de semana
Imagem: Divulgação

A Volkswagen já resolveu aderir com duas de suas principais marcas. A Porsche entrará como fornecedora da Red Bull e é questão de tempo para o anúncio ser feito. Já a Audi deve comprar 75% da Sauber, que hoje corre sob a marca da Alfa Romeo. A informação que circulava em Silverstone é que o negócio envolve US$ 450 milhões e será feito de forma progressiva: 25% em 2023, 25% em 2024, 25% em 2025. Em 2026, enfim, a Audi estreia.

Mas e a Honda? Envolvida na F1 desde 1964, a montadora japonesa coleciona chegadas e partidas sem muita explicação e sem muita lógica. Os últimos dois casos foram emblemáticos.

Entre 2006 e 2008, correu como equipe própria após comprar a BAR. De uma hora pra outra decidiu encerrar o projeto e entregou a estrutura praticamente de graça para Brawn. Sem conseguir arrumar um comprador, o engenheiro inglês deu seu nome ao time e iniciou 2009 pra ver no que dava. Deu no Mundial de Pilotos para Button e no Mundial de Construtores.

A história mais recente tem semelhanças. Em 2015, a Honda retornou à F1 como fornecedora de motores. Foram três anos sofrendo com a McLaren, um ano na Toro Rosso e, a partir de 2019, um contrato com a Red Bull. Exatamente quando as coisas começavam a dar certo, os japoneses anunciaram nova saída. O último ato foi a celebração do título de Verstappen.

A marca continua discretamente exposta nos carros da Red Bull, mas como uma parceira técnica. Oficialmente, quem produz os motores é a marca austríaca em sua nova fábrica na Inglaterra. Na prática, a propriedade intelectual até 2025 é dos japoneses, que prestam serviços de consultoria, pesquisa e desenvolvimento.

A presença da comitiva da Honda em Spielberg, no entanto, indica que a montadora quer mais. A tentação de estar numa plataforma de marketing como a F1, agora comprometida a um discurso de sustentabilidade, parece ser grande demais. O zunzunzum do paddock aponta para a possibilidade de compra da AlphaTauri. Será? Não duvido mais de nada...

E vamos para a programação completa do fim de semana em Spielberg, segunda etapa do ano com corrida de classificação. O gênio por trás da arte é o Pilotoons.

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Programação do GP da Áustria
Imagem: Pilotoons