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Fábio Seixas

REPORTAGEM

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Presidente da FIA abre as portas para volta de Masi

O australiano Michael Masi, ex-diretor de provas da F1, que pode ser reabilitado  - Fórmula 1
O australiano Michael Masi, ex-diretor de provas da F1, que pode ser reabilitado Imagem: Fórmula 1
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

14/05/2022 16h18

O castigo, aparentemente, está chegando ao fim. Protagonista involuntário da decisão do último Mundial, Michael Masi já encontra portas abertas para retornar à F1.

O avalista não poderia ser mais poderoso: Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA. Em entrevista ao "Daily Mail", da Inglaterra, ele deixou claro que o australiano pode voltar às salas de controle das corridas da categoria já na próxima temporada.

"Falei com ele há dois dias. Não tenho nenhum problema com ele, não odeio ninguém. Michael está aqui e podemos usar seus serviços. Nunca disse que nos livraríamos dele, mas que poderíamos utilizá-lo. Haverá um bom lugar para ele. Estamos abertos para tudo", disse o emirático, que aproveitou para alfinetar a gestão anterior da entidade.

"A organização de nossa estrutura esportiva estava errada. E apesar de agora termos dois diretores de corrida, acho que ainda não está correta. Temos que limpar a área. Não existe essa de ir ao supermercado e voltar com alguns comissários. Temos que criar um sistema de recrutamento. Precisamos de pessoas justas, firmes, tolerantes", afirmou.

E é aqui que Masi deve entrar: "Essa falta de pessoal na FIA precisa ser resolvida. Eu gostaria de ver um mínimo de três diretores, idealmente até o começo do ano que vem".

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Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, com Max Verstappen no pódio do GP de Miami
Imagem: Twitter/Mohammed Ben Sulayem

As declarações de Ben Sulayem valem um contexto. Porque indicam insatisfação com um acordo costurado por terceiros e que ele precisou executar.

O estopim foram as decisões de Masi em Abu Dhabi, que definiram o Mundial passado e geraram revolta na Mercedes e, particularmente, em Hamilton.

O inglês chegou a ter o oitavo título nas mãos até a última volta da corrida, mas foi ultrapassado por Verstappen. Ele e a Mercedes alegam inconsistência nas decisões de Masi.

No Azerbaijão, em junho, diante de cenário parecido _acidente nas últimas voltas_, o australiano determinou bandeira vermelha e largada estática. Em Abu Dhabi, decidiu por bandeira amarela e relargada após o safety car. Mais: mandou cinco retardatários saírem do meio da disputa entre os dois rivais, deixando caminho aberto para o ataque de Verstappen. Outros três retardatários, porém, foram mantidos em suas posições no meio do pelotão.

A Mercedes entrou com um recurso contra as decisões do diretor de prova ainda em Abu Dhabi, foi derrotada, e ameaçou apelar. Dias depois, voltou atrás, alegando acreditar nos esforços da FIA para tornar as regras mais claras e o esporte, mais robusto.

A decisão da Mercedes foi resultado de um acordo de bastidores: em troca da paz na categoria, a FIA afastaria Masi. O problema é que o acerto foi costurado por Jean Todt, então presidente da FIA, no apagar das luzes de seu mandato. O serviço sujo ficou com Ben Sulayem, que assumiu o cargo em dezembro, apenas cinco dias depois do GP de Abu Dhabi.

Exatos dois meses após assumir, o novo presidente anunciou o afastamento de Masi e uma nova estrutura de comando das corridas. O alemão Niels Wittich e o português Eduardo Freitas passaram a se revezar na direção dos GPs, supervisionados por um veterano: Herbie Blash, remanescente da era Ecclestone e um velho conhecido das equipes.

A FIA anunciou ainda uma espécie de VAR: o ROC, sigla para Centro Remoto de Operações, que vai funcionar numa sala em Genebra, analisando imagens de câmeras espalhadas pelos circuitos. "Embora o princípio seja parecido com o do VAR, o ROC vai atuar como um recurso de apoio à equipe de direção de prova, oferecendo volume de dados comparável ao de dez jogos de futebol simultâneos, incluindo mais de 140 fontes de vídeos e áudio", informou nota da FIA emitida no início desta temporada.

Nada disso, porém, deve confortar a Mercedes caso o australiano seja reconduzido à direção de provas. E será mais uma pancada em Hamilton, que já enfrenta uma bizarra queda de braço com a FIA sobre o uso de joias.

Pode ser coincidência, mas Hamilton constrangeu Ben Sulayem no começo do ano ao não atender telefonemas do então recém-eleito presidente da FIA.

Mas pode não ser...