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Fábio Seixas

REPORTAGEM

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GP do Qatar é enorme indício de Volks no grid da F-1

O circuito de Losail, no Qatar, que em novembro receberá a F-1 pela primeira vez   - Fórmula 1
O circuito de Losail, no Qatar, que em novembro receberá a F-1 pela primeira vez Imagem: Fórmula 1
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

30/09/2021 11h58

O anúncio de que o Qatar vai receber a F-1 em novembro e de que assinou para outros dez GPs a partir de 2023 embute notícia ainda mais importante.

Praticamente confirma a entrada da Volkswagen na categoria, um antigo objetivo dos dirigentes, um sonho que ficou no quase algumas vezes.

A prova vai ocupar a data aberta com a desistência do Japão, que deixou o calendário após o boom de casos de covid nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

O que surgiu como um problema teria se tornado uma belíssima oportunidade para a Liberty Media, empresa que rege os direitos comerciais da F-1. Provavelmente proporcionou a cartada decisiva para dobrar os cataris e atrair a Volks para o esporte: 11 GPs no circuito de Losail até 2033.

Mas o que o país árabe tem a ver com o conglomerado alemão?

O QIA, fundo soberano do Qatar, é o segundo maior proprietário de ações do Grupo Volkswagen e tem direto a 17% dos votos no conselho.

Entre outras empresas, a Volks controla Audi e Porsche. Há quase três meses, no fim de semana do GP da Áustria, executivos das duas marcas sentaram com a cúpula da F-1 e outras montadoras para discutir planos de entrar na categoria a partir de 2023, ano que marcará uma revolução técnica nos carros.

"Motores verdes", com tecnologias limpas, estão no radar, o que pode fazer da F-1 uma plataforma de marketing das mais interessantes.

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Stefano Domenicali, chefe da Liberty
Imagem: Clive Rose - Gran Turismo/Gran Turismo via Getty Images

As conversas foram costuradas por Stefano Domenicali, ex-Ferrari e hoje chefe da Liberty, que conhece bem a política interna do Grupo Volkswagen. Por quatro anos, comandou outra marca da Volks, a Lamborghini. Estava por lá em 2014, quando a Audi ensaiou entrar na F-1, projeto que acabou barrado exatamente no conselho do grupo.

Agora, ao que tudo indica, o plano andou. Não deve ser coincidência que o contrato de 10 anos com os cataris comece exatamente no mesmo ano das mudanças técnicas.

A marca escolhida deve ser a Audi, que acabou de deixar a Fórmula E, categoria que ajudou a fundar em 2014. Por outro lado, a Porsche estreou no ano passado no Mundial de monopostos elétricos.

Por fim, o GP do Qatar cria uma boa possibilidade para a logística do calendário: uma série de corridas consecutivas no Oriente Médio. Neste ano, por vias tortas, isso já vai acontecer.

Depois da prova no circuito de Losail, no dia 21 de novembro, a F-1 encerrará a temporada na Arábia Saudita (5 de dezembro) e em Abu Dhabi (12).

A partir de 2023, o Bahrein pode integrar o grupo, reduzindo custos de viagem e deixando um pouco menos sacrificante a vida de quem precisa viajar para trabalhar num calendário cada vez mais inchado.