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Fábio Seixas

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

F-1 de 2021 derruba o "antigamente que era bom"

Carlos Sainz ultrapassa Lando Norris na largada e assume a liderança do Grande Prêmio da Rússia, em Sochi  - REUTERS
Carlos Sainz ultrapassa Lando Norris na largada e assume a liderança do Grande Prêmio da Rússia, em Sochi Imagem: REUTERS
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

29/09/2021 11h18

As 15 etapas da F-1 já disputadas em 2021 produziram um senso comum: esta é uma das temporadas mais disputadas, mais agitadas, mais legais dos últimos tempos.

Mas quanto? Como medir isso?

O GP da Rússia jogou luz sobre a questão. Em Sochi, a F-1 atingiu uma marca emblemática, ótima para puxar da memória e usar naquele papo com os amigos saudosistas, aquela turma do "no meu tempo que era bom".

Ao superar Norris na largada do GP, Sainz se tornou o 11º piloto a liderar uma corrida nesta temporada. Ou seja, mais da metade do grid atual já sentiu o gostinho de correr com cara pro vento neste ano. Para ser mais preciso, 55%.

O líder em voltas na frente, até agora, é Verstappen: 469. Hamilton vem a seguir, com 133 voltas lideradas. O terceiro colocado é Ocon, 65, todas no GP da Hungria, que ele venceu. Depois vêm Leclerc, com 51, e Ricciardo, com 48.

Completam a lista Pérez (34), Norris (31), Bottas (27), Sainz (12), Vettel (4) e Alonso (2).

É o maior número de pilotos liderando GPs desde 2014, quando os atuais motores V6 híbridos estrearam na categoria. O salto em relação aos últimos campeonatos foi alto: de 2016 a 2019, por exemplo, apenas seis pilotos lideraram GPs por temporada. No ano passado, foram nove.

É preciso voltar pelo menos oito anos no tempo para encontrar diversidade maior do que a desta temporada. Em 2013, último ano dos motores V8, 13 pilotos lideraram GPs, ou 59% do grid. O Mundial de 2009 registrou marca idêntica. O campeonato de 2008 teve 68% dos pilotos liderando corridas e o de 2003, 65%.

Ou seja, o atual campeonato já é o quinto mais movimentado deste século. E ainda há sete corridas pela frente. A chance de subir no ranking é enorme.

Mas o barato da brincadeira é comparar 2021 com Mundiais mais distantes.

"Ah, mas no tempo do Senna que era bom, que havia competitividade..."

Ayrton Senna, em 1988, temporada em que só quatro pilotos lideraram GPs - Pascal Rondeau/Allsport/Getty - Pascal Rondeau/Allsport/Getty
Ayrton Senna foi campeão pela McLaren na temporada de 1988
Imagem: Pascal Rondeau/Allsport/Getty

Em 1988, ano do primeiro título do brasileiro, apenas quatro pilotos lideraram as 1.031 voltas do campeonato. Atenção para os números: Senna (553), Prost (450), Berger (27) e Capelli (1).

Como os grids tinham 26 carros, estamos falando em apenas 15% _e isso porque Capelli, com a March, acidentalmente liderou uma voltinha em Suzuka.

Quatro (ou três) pilotos liderando 16 GPs... Era competitivo? Ou a visão do torcedor brasileiro ficou turva porque havia uma compatriota na disputa?

Em 1990, a marca subiu para 10, mas novamente havia 26 pilotos no grid. Em 1991, ano do tri, 7 dos 26 pilotos lideram, ou 27%.

A história se repete conforme voltamos no calendário. Seguem as proporções de pilotos líderes de GPs nos anos dos outros cinco títulos do Brasil: 1972 (33%), 1974 (31%), 1981 (41%), 1983 (31%) e 1987 (19%).

E antes que alguém argumente que atualmente as temporadas são mais longas e, portanto, há mais chances de pilotos liderarem, convém lembrar que estamos falando de 15 etapas até agora, mais ou menos a duração dos campeonatos entre os anos 70 e 90.

Aproveitem, portanto.

Os números comprovam a sensação: este Mundial já é histórico.