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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bottas vence, mas Mercedes tem dia horrível em Monza

Max Verstappen e Valtteri Bottas se cumprimentam após a minicorrida de Monza, neste sábado  - Reprodução/F1TV
Max Verstappen e Valtteri Bottas se cumprimentam após a minicorrida de Monza, neste sábado Imagem: Reprodução/F1TV
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

11/09/2021 12h05

A vitória foi de Bottas, e as estatísticas mostrarão que a pole position para o GP da Itália foi conquistada por ele.

Mas a segunda experiência da F-1 com uma "minicorrida" para definir o grid de largada foi uma tragédia para a Mercedes.

A despeito de ter cruzado a linha de chegada em primeiro e ter ganhado uma bela medalha, o finlandês terá de cumprir punição e largar do fundo do grid porque trocou o motor neste fim de semana _cada piloto tem direito a três por ano, e Bottas já foi para o quarto.

Assim, no domingo, quem estará na ponta do grid será Verstappen, segundo colocado na minicorrida. Hamilton sairá apenas na quarta colocação.

Entre ele e seu rival pelo título, as McLarens de Ricciardo, em segundo, e Norris, em terceiro.

Não vai ser fácil para o inglês.

É esquisito escrever que "tudo deu errado" para a Mercedes num dia em que, afinal, Bottas recebeu a bandeirada antes de todo mundo. Mas foi o que aconteceu. O plano original do time, de inverter as posições de seus pilotos no começo da corrida, foi para o espaço já nos primeiros metros.

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Valtteri Bottas, com a medalha que conquistou pela vitória na minicorrida de Monza, neste sábado
Imagem: Reprodução/F1TV

Na largada, Bottas saiu bem e manteve a ponta. Hamilton, que estava em segundo no grid, foi muito mal: ficou mais preocupado em se defender de Norris do que em olhar pra frente e acabou caindo para quinto. Verstappen chegou à primeira curva em segundo, com Ricciardo e Norris na sequência.

Mas logo veio o safety car: Gasly tocou a traseira de Ricciardo, perdeu a asa dianteira, escapou para a brita e bateu. Um pouco mais atrás, Kubica e Tsunoda também se enroscaram. "Idiota", disse o japonês, pelo rádio.

A relargada veio na quarta volta. Livre da missão de entregar posição para o companheiro, Bottas teve liberdade total para acelerar. Desta vez, tudo foi mais calmo.

As atenções, então, se voltaram para Hamilton. Em quinto, o inglês estava fora dos pontos. O que ele faria? Pressionaria as McLaren? Ou se conformaria em não assumir mais riscos, pensando na corrida de domingo?

Valeu a segunda opção. Hamilton até insinuou atacar Norris em alguns momentos, mas nunca chegou a realmente dar o bote.

Faltou emoção, esta é a verdade.

Na sexta volta, Bottas tinha 1s6 sobre Verstappen, que por sua vez abria 2s9 sobre Ricciardo. Dez voltas depois, as posições estavam idênticas, apenas as diferenças mudaram: Bottas com 2s2 para o holandês, que tinha 10s9 para o australiano.

Bottas cruzou a linha de chegada com 2s3 sobre Verstappen.

Com o resultado, Verstappen vai a 226,5 pontos no Mundial, abrindo cinco de vantagem para Hamilton.

"Foi melhor do que eu esperava. Marquei alguns pontos e amanhã largarei na primeira posição", disse Verstappen. "A Mercedes tem um motor muito bom em alta velocidade, mas acho que teremos um bom ritmo."

O péssimo resultado de Hamilton abre a possibilidade de o inglês trocar motor e fazer uma "poupança" para o fim do campeonato.

De certa forma, ele entregaria a vitória na Itália para Verstappen, de olho em poder dar o troco nas provas finais da temporada.

Acho que é isso que vai acontecer. É questão de esperar o comunicado oficial.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL