PUBLICIDADE
Topo

Fábio Seixas

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Programe-se: GP da Itália

Carlos Sainz corre pela pista de Monza com outros integrantes da Ferrari na véspera do início das atividades para o GP da Itália - Ferrari
Carlos Sainz corre pela pista de Monza com outros integrantes da Ferrari na véspera do início das atividades para o GP da Itália Imagem: Ferrari
Conteúdo exclusivo para assinantes
Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

09/09/2021 16h54

Quando um GP tem 71 anos, o que não falta é história. Todo fã de F-1 tem suas lembranças de Monza, é impossível ser indiferente à pista no Parco di Monza.

A minha memória mais forte, por motivos puramente pessoais, completa agora 20 anos.

Foi em 16 de setembro de 2001, cinco dias após os atentados contra os EUA e o desabamento das torres do World Trade Center.

Semana esquisita aquela...

Normalmente, viajávamos para os GPs nas quartas-feiras, para começar a trabalhar nos autódromos nas quintas. Mas naquela ocasião, excepcionalmente, embarquei na terça: havia uma entrevista exclusiva agendada com Luca di Montezemolo em Maranello no dia seguinte.

Terça foi o 11 de Setembro. Estava arrumando a mala em casa quando o mundo parou. E assim, com o mundo em choquei, fui para Cumbica, entrei no avião, pousei em Milão, dirigi até o hotel de beira de estrada em Modena, vesti terno e gravata. Fui para Maranello.

Foi só quando passei pela célebre portaria da sede da Scuderia que fui informado de que a entrevista estava cancelada.

"O presidente está muito abalado", me disse o assessor de imprensa. "Ok, eu entendo. É perfeitamente compreensível. Mas eu viajei do Brasil, no meio dessa loucura, só para essa entrevista", argumentei.

luca11 - Ferrari - Ferrari
Luca di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari
Imagem: Ferrari

Minha expressão de desolação deve ter sido algo impressionante. Porque dobrei o assessor e, minutos depois, estava na sala do presidente da Ferrari. Assunto não faltava: Barrichello, Schumacher, jovens pilotos chegando à F-1, segurança, corte de custos... Mas, admito, não foi uma grande entrevista. Montezemolo estava borocoxô, só lançou frases protocolares.

Outra lembrança forte daquele 2001 remete ao pré-GP, no domingo: Schumacher caminhando pelo grid, de carro em carro, pedindo para que ninguém fizesse nenhuma besteira. Eles estavam ali para levar um pouco de entretenimento aos fãs em dias tão sombrios. Tudo o que o mundo não precisava era de mais uma tragédia.

De fato, na F-1, tudo correu bem: vitória de Montoya, seguido por Barrichello e Ralf. Mas o esporte a motor foi dormir abalado naquele domingo: um horrível acidente em Lauzitsring, na Alemanha, ceifou as duas pernas de Zanardi.

Vinte anos depois, os dias são mais leves, mas não muito. Ainda vivemos uma pandemia, afinal. O "piloto jovem" comentado na entrevista com Montezemolo vai se aposentar, Schumacher está prestes a virar filme na Netflix, Barrichello corre na Stock Car...

Monza-2021 começou com o mercado de pilotos ainda fervendo. Foram vários anúncios dos últimos dias, mas ainda há uma lacuna a ser preenchida. Quem será o companheiro de Bottas na Alfa Romeo? Campeão da Fórmula E, o holandês Nick de Vries estava bem cotado, mas agora a vaga parece mais próxima do chinês Guanyu Zhou, atual vice-líder da F-2.

Há ainda toda a expectativa em torno da segunda experiência com o "sprint qualifying", a minicorrida de 18 voltas, no sábado, que vai definir o grid para o GP de domingo.

Vale refrescar a memória de quem não lembra o que aconteceu em Silverstone...

Na sexta-feira, o treino livre de uma hora será a única chance de pilotos e equipes acertarem os carros para a classificação. A sessão seguinte já será de decisão: seguirá o formato Q1-Q2-Q3, determinando o grid para a minicorrida. Todos os pilotos usarão os pneus mais macios à disposição no fim de semana, os C4, de banda vermelha, teoricamente mais velozes.

O sábado começará com um treino livre de uma hora, seguido pelo "sprint qualifying" de 100 km, o que em Monza equivale a 18 voltas. Vencedor, segundo e terceiro colocados ganharão respectivamente 3, 2 e 1 pontos.

A ordem de chegada definirá o grid para o GP de domingo, que terá os costumeiros 300 km de distância _53 voltas no circuito italiano. Outra novidade é que os pilotos terão liberdade para escolher com qual tipo de pneu irão largar no domingo.

Ufa! Segue então com a programação do GP da Itália, na bela arte do Pilotoons...

programamonza - Pilotoons - Pilotoons
Programação do GP da Itália
Imagem: Pilotoons