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Fábio Seixas

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Matemática joga a favor de Verstappen na F-1

Verstappen, segundo colocado no Mundial, mas líder no ranking de voltas lideradas na temporada - Mark Thompson/Getty Images
Verstappen, segundo colocado no Mundial, mas líder no ranking de voltas lideradas na temporada Imagem: Mark Thompson/Getty Images
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

04/08/2021 11h36

A F-1 está de férias, os carros voltaram para suas bases, os pilotos devem sumir do mapa por alguns dias para relaxar e esfriar a cabeça. Compreensível e merecido.

Nas equipes, é um momento de balanço. E um número talvez incomode a Mercedes nesse período, uma estatística que certamente não passou despercebida e que merece reflexão.

Depois de passar seis etapas atrás de Verstappen na tabela do Mundial, Hamilton recuperou a liderança na Hungria.

Tem hoje 195 pontos, oito a mais que o holandês. De quebra, a Mercedes também superou a Red Bull: 289 pontos a 285.

Em Budapeste, a equipe alemã comemorou muito o fato de poder passar as próximas quatro semanas na ponta dos dois campeonatos. Um alívio, sem dúvida, após enfrentar um período tão conturbado.

Mas o quanto essa tabela reflete a realidade entre os dois rivais pelo título em 2021? O quanto os GPs da Inglaterra e da Hungria mascaram a relação de forças entre as duas equipes?

As respostas, acredito, estão no ranking de voltas lideradas na temporada.

Antes da Inglaterra, Verstappen liderava o campeonato por 182 a 150. Somava 403 voltas na liderança, contra 122 do inglês.

verstabb - Reprodução - Reprodução
Verstappen, Leclerc, Norris e Ricciardo, após a confusão na largada em Budapeste
Imagem: Reprodução

Duas provas depois, envolvido em acidentes logo após as largadas, estancou nas 403. Hamilton liderou mais seis voltas, mas entre elas as três finais da vitória em Silverstone, um desempenho tão épico quanto preciso. Pronto, o jogo virou. É o que a tabela aponta.

Mas 403 x 128 em voltas lideradas é muita coisa. São 215% de diferença.

É uma lavada de respeito.

A não ser que algo muito radical ocorra na relação de forças entre as duas equipes, ou que uma improvável combinação de resultados reproduza o que vimos nos dois últimos GPs, Verstappen tem todas as condições de retomar a liderança e abrir vantagem após as férias.

Não é apenas o presente. O passado também reforça essa sensação.

A última vez que um piloto não liderou o ranking de voltas mas sagrou-se campeão foi em 2016.

Na ocasião, Rosberg levou o título com cinco pontos de vantagem sobre Hamilton. O inglês comandou o ranking de voltas lideradas na temporada, mas com uma margem pequena, de apenas 16%: 566 a 489.

Neste século, nenhum piloto conseguiu ser campeão com um déficit tão grande no número de voltas lideradas como o que Hamilton enfrenta hoje.

A volta das férias vai ser animada...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL