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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Cerebrais, Hamilton e Mercedes levam pole na Hungria

Bottas (esq) e Hamilton se cumprimentam após garantirem a primeira fila no grid do GP da Hungria - Mercedes
Bottas (esq) e Hamilton se cumprimentam após garantirem a primeira fila no grid do GP da Hungria Imagem: Mercedes
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

31/07/2021 11h27

Foi um sábado para mostrar que o resultado do GP da Inglaterra não foi totalmente circunstancial. Foi um dia para tornar o ambiente ainda mais conturbado após as polêmicas iniciadas em Silverstone. Foi uma classificação para reforçar a realidade: Verstappen e a Red Bull formam hoje o melhor conjunto da F-1, mas Hamilton e a Mercedes não podem ser subestimados.

Jamais.

Pole position para Hamilton, a 101ª da carreira, a terceira na temporada, a oitava na Hungria. Bottas, seu companheiro de equipe, sai em segundo. Verstappen, líder do campeonato e que vinha numa sequência de quatro poles seguidas, amargou um terceiro lugar.

"Não foi como gostaríamos", disse o holandês, após a sessão, visivelmente chateado. "Foi uma classificação incrível, um trabalho de equipe sensacional. A gente conseguiu ajustar o carro e só tenho a agradecer o apoio da torcida", afirmou Hamilton, cheio de ironia.

Enquanto ele falava, as arquibancadas, repletas de holandeses, o vaiavam.

Foi um resultado obtido não só na velocidade, mas principalmente na estratégia. Algo que pode se repetir no domingo, com as Mercedes largando de pneus médios, contra os macios de todos os outros pilotos no top 10.

A sessão classificatória aconteceu num sábado de céu azul em Budapeste, 29°C no ar, 59°C no asfalto. Hungaroring já viveu dias mais escaldantes.

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Verstappen no pitlane durante o Q1 da sessão classificatória em Hungaroring
Imagem: Red Bull

No Q1, Verstappen foi o mais rápido, com 1min16s241, vantagem de 0s210 para Hamilton, segundo colocado. Bottas e Sainz vieram logo atrás, seguidos por Gasly, Stroll, Norris, Leclerc, Vettel e Alonso.

Os cortados foram Tsunoda, Russell, Latifi, Mazepin e Schumacher _que bateu forte no treino livre da manhã e não teve carro para a classificação. Mais uma vez ficou feio para o japonês, que viu o companheiro avançar em quinto lugar..

O holandês repetiu a dose no Q2, com 1min15s650. Norris ficou a um fosso de distância: 0s735. Gasly foi o terceiro, seguido por Pérez, Hamilton, Alonso, Leclerc, Bottas, Ocon e Vettel.

Mas vale aqui uma ressalva: Hamilton e Bottas estavam de pneus médios e com eles largarão na corrida. Todos os outros oito começarão o GP com os compostos mais macios à disposição.

É sintomático. Ciente de que hoje não tem carro para brigar com a Red Bull, a Mercedes tentará a vitória na base de uma estratégia diferente.

Foram cortados Ricciardo, Stroll, Raikkonen, Giovinazzi e Sainz.

Veio então o Q3. Que começou com a Mercedes assustando os rivais e, mais uma vez, usando e abusando da estratégia.

Na primeira série de voltas, Hamilton fez 1min15s419, 0s315 melhor do que Bottas. Verstappen ficou a 0s565.

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Hamilton durante o treino classificatório para o GP da Hungria
Imagem: REUTERS/Florion Goga ORG XMIT: AI

Quando os pilotos começaram a retornar à pista, Hamilton se colocou imediatamente à frente do rival e fez a volta de aquecimento em baixa velocidade, para desconcentrar o holandês. Verstappen caiu na armadilha, e na sua volta lançada não teve ritmo para bater a marca do inglês.

Pérez, companheiro de Verstappen, sai ao seu lado. A terceira fila terá Gasly e Norris. Completando o top 10 no grid, Leclerc, Ocon, Alonso e Vettel.

Neste sábado, a Mercedes deu um nó na concorrência. A opção pelos pneus na largada permite à equipe alemã algo parecido na corrida. A seu favor, a Red Bull tem a velocidade do carro e a ousadia de Verstappen.

Estratégia x força bruta, assim deve ser o GP da Hungria.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL