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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Hamilton leva Silverstone ao delírio e vai pra Lua

Hamilton comemora com a torcida inglesa o primeiro lugar na classificação em Silverstone  - Reprodução
Hamilton comemora com a torcida inglesa o primeiro lugar na classificação em Silverstone Imagem: Reprodução
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

16/07/2021 15h14

A primeira classificação para uma minicorrida da F-1 teve arquibancadas vibrantes em Silverstone, Hamilton emocionado, Verstappen bravo, Russell brilhando, promessa de algum agito na relação de forças entre as equipes.

E teve um pole que não é pole. Hamilton foi o mais rápido e largará na ponta para a prova de 17 voltas. Mas, para as estatísticas, o pole position do GP da Inglaterra será o vencedor da minicorrida de sábado, que, afinal, encabeçará o grid de domingo.

(Justo, embora Vettel tenha levantado um ponto importante ao longo da semana: "pole position" sempre foi sobre o melhor tempo numa volta rápida. Sim, há um quê de desvio histórico neste novo formato.)

Foi preciso virar uma chave, fazer um contorcionismo cerebral, para assimilar uma classificação da F-1 em plena sexta-feira. Mas valeu a pena. Em vez de mais um treino livre insosso, vimos 20 pilotos trabalhando por resultados que terão reflexo direto no GP.

Mais rápido no treino livre da manhã, o holandês da Red Bull comandou o Q1: 1min26s751, 0s035 melhor que Hamilton, o segundo. Leclerc, Pérez e Ricciardo vieram na sequência. Foram cortados Tsunoda (ficou feio), Raikkonen (horrível, pela oitava vez no ano ficou atrás do companheiro), Latifi (já nem digo nada...), Schumacher e Mazepin.

No Q2, nada foi mais legal do que Russell avançando. O inglês desbancou Alonso nos últimos instantes, fazendo explodir as arquibancadas do circuito.

"Yes, boys! Yes, boys!", gritou com a Williams pelo rádio, como que não acreditando no que havia acabado de fazer.

hamsexta - REUTERS/Andrew Couldridge - REUTERS/Andrew Couldridge
Hamilton durante a classificação desta sexta
Imagem: REUTERS/Andrew Couldridge

Hamilton foi o mais rápido, mas Verstappen claramente não se esforçou: nem sequer foi à pista para uma nova tentativa de volta e mesmo assim ficou em segundo. O tempo do inglês, 1min26s023, diferença de 0s339 para o holandês.

Além deles, avançaram Bottas, Sainz, Leclerc, Pérez, Russell, Vettel, Ricciardo e Norris. Os cortados, além de Alonso, foram Gasly, Ocon, Giovinazzi e Stroll.

E veio o Q3.

Na primeira sequência de voltas, Hamilton foi o mais rápido: 1min26s134.

Todos foram para os boxes, colocaram pneus novos e partiram para a decisão. Hamilton não conseguiu melhorar, mas Verstappen não teve como superá-lo: ficou a 0s087.

As arquibancadas explodiram mais uma vez. Gritos e aplausos foram capazes de abafar o som dos motores. Emocionado, Hamilton correu para o público, escalou o alambrado, vibrou como num título. Sinal dos tempos.

"Eu estava sentindo falta disso. Estou muito feliz de ver toda essa torcida aqui, a casa cheia. O trabalho da equipe, junto com a energia dos fãs, explica esse resultado. Estou me sentindo na Lua", explicou o heptacampeão. Visivelmente chateado, Verstappen reclamou do acerto do carro. "Estava estranho, saindo muito de frente, sem aderência".

Bottas larga em terceiro, com Leclerc em quarto. Na terceira fila, Pérez e Norris. Fechando o top 10, Ricciardo, Russell, Sainz Jr e Vettel.

E agora?

Agora teremos um segundo treino livre, às 8h (horário de Brasília) de amanhã, e a tão esperada minicorrida, a partir das 12h30. No domingo, a largada acontece às 11h.

Só depois das 52 voltas do GP é que será possível fazer um diagnóstico completo dessa primeira experiência do novo formato. Mas, até agora, sigo gostando das novidades.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL