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Fábio Seixas

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

O dilema da F-1: covid x acordos comerciais

Mecânicos da AlphaTauri, de máscaras, durante o GP Bahrein, que abriu o Mundial de F-1 - Peter Fox/Getty Images
Mecânicos da AlphaTauri, de máscaras, durante o GP Bahrein, que abriu o Mundial de F-1 Imagem: Peter Fox/Getty Images
Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

06/04/2021 04h00

Na semana passada, a FIA anunciou que suas duas próximas etapas da Fórmula E, em Roma e Valência, serão rodadas duplas.

O motivo é claro: usar ao máximo as datas disponíveis agora e se prevenir de problemas com a pandemia no segundo semestre. Contando as duas provas que abriram o campeonato, na Arábia Saudita, em fevereiro, são 10 etapas confirmadas até 6 de junho.

Já é alguma coisa. No segundo semestre, o que vier é lucro.

A F-1 adoraria fazer o mesmo. Mas não consegue, refém de seus próprios compromissos comerciais, muito mais intrincados e volumosos.

É um problemaço no horizonte. Porque hoje parece improvável que o Mundial consiga chegar ao fim incólume, realizando suas 23 etapas como anunciado em novembro.

Zak Brown, CEO da McLaren, por exemplo, acredita que não tem jeito, que algumas provas serão canceladas. "Acho que vamos perder uma ou duas corridas. Teremos que ver como as coisas andam, como será a vacinação pelo mundo ao longo do ano e quais países serão mais impactados. Mas estou confiante que até dezembro teremos ao menos 20 etapas", disse.

Fato é que o pesadelo do GP da Austrália do ano passado ainda atormenta a categoria. Na ocasião, debaixo de muitas críticas e dúvidas, as equipes cruzaram o mundo para a abertura do campeonato. O evento foi cancelado na sexta-feira, horas antes dos primeiros treinos livres.

O que a F-1 mais quer evitar é tamanho desperdício de dinheiro.

À primeira vista, pode parecer mais fácil e barato simplesmente cancelar um GP que desperte dúvidas. Mas o buraco é mais embaixo.

Para redesenhar o Mundial do ano passado e entregar 17 etapas, a Liberty precisou contar com a compreensão e boa vontade de promotores de GPs, acionistas e patrocinadores. Mais: prometeu compensações já para 2021.

É isso que explica uma aparente incongruência, ter anunciado um calendário recorde, com 23 GPs, enquanto o mundo ainda sofre com a covid.

Não é uma equação simples, portanto. De um lado, o vírus. De outro, a pressão econômica para cumprir sua programação. A Liberty deve analisar caso a caso, país a país, e decidir por um lado da balança.

(No Brasil, todos sabemos que ela está pendendo para o lado do vírus.)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL