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Danilo Lavieri

Nathan, ex-Palmeiras, conta como internação de avô salvou a vida de sua mãe

Nathan e sua mãe juntos depois da recuperação do AVC - Arquivo pessoal
Nathan e sua mãe juntos depois da recuperação do AVC Imagem: Arquivo pessoal
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

20/01/2021 11h57

Nathan, que ficou conhecido no Brasil por ter sido revelado pelo Palmeiras, vive ótima fase na Suíça depois de um grande susto. Em entrevista ao blog, o zagueiro contou o que chamou de milagre que envolveu a internação de seu avô por conta da Covid-19 e que acabou salvando a vida de Elaine, sua mãe.

O atleta tem atuado como titular do FC Zurich, da Suíça, e disse não pensar em voltar tão cedo ao Brasil, apesar do frio que enfrenta na Europa e de todas as diferenças culturais, especialmente entre o povo brasileiro e o povo suíço.

Aos 25 anos, Nathan virou pai pela primeira vez no ano passado e explica na entrevista porque resolveu tornar público esse sofrimento familiar que teve recentemente.

Confira a entrevista completa:

Danilo Lavieri - Você recentemente passou por um drama familiar, com a internação da sua mãe. O que aconteceu? Como foi para você acompanhar isso de longe?
Nathan:
Eu estava aqui na Suíça, com meu irmão, e a gente recebeu uma ligação para falar que ela tinha tido um AVC e era dos piores que tinha, porque era hemorrágico. No mesmo dia, compramos uma passagem, e como minha esposa estava grávida eu fiquei na Suíça e ele voltou para o Brasil. Foram dias angustiantes. Os médicos deram três dias de vida e falaram que se ela passasse já ia ser um milagre. E ela sobreviveu a esses três dias. Então os médicos disseram que tudo ia depender de uma reação dela, de todas as cirurgias que eles fizeram. E ela ficou dois meses em coma.

Tudo isso em São Paulo? E você acompanhando à distância pelo celular? Deve ter sido muito difícil.
Nathan:
Ela ficou internada em São Paulo, no Hospital do Coração. Isso foi em abril. Dois meses depois, ela acordou e quando ela acordou eu pedi quatro dias para encontrar com ela, mas depois tive que voltar para a Suíça. Minha esposa estava grávida, e a gente no meio do campeonato. E aí foi no final do ano foi quando teve a pausa que foi o encontro de verdade, quando aí eu encontrei com ela andando, falando e foi quando eu abracei de verdade. É tudo diferente do que é pelo celular. Eu falo que tudo isso foi uma 'Jesuscidência', porque eu também perdi meu avô nesse meio tempo.

O que aconteceu com ele?
Nathan:
Minha mãe ficou em coma dois meses, mas ficou internada por 145 dias. E meu avô foi o herói de toda essa história. Ele tinha suspeita de corona e não queria ir para o hospital de maneira alguma. Sempre brigou com a minha mãe, mas no fim a gente viu que estava tudo marcado. Em um dia, meu avô disse que toparia ir para o hospital no dia seguinte se ele não melhorasse e minha mãe queria ter levado para o hospital ali mesmo. Ele não topou, mas no dia seguinte eles foram para o hospital e meu avô e minha avó foram internados. Foi mais ou menos a mesma hora que minha mãe teve o AVC, dentro do hospital. Se meu avô tivesse topado ir ao hospital um dia antes, no dia seguinte, minha mãe tinha tido o AVC sozinha, em casa, e provavelmente teria morrido.

Seu avô foi um anjo da guarda da sua mãe, então.
Nathan:
Meu avô faleceu um mês depois e minha vó saiu bem do Corona. Minha mãe não é tão religiosa quanto eu, mas ela admite que é um milagre.

Por que você tornou essa história pessoal pública?
Nathan:
Por ter sido um milagre, resolvi postar no Instagram e alguns amigos até me perguntaram porque eu não tinha falado nada antes. Eu acredito muito em Deus e em Jesus e acho que isso foi um milagre vindo dos céus e achei importante passar isso. Eu recebi muitas mensagens de gente que tinha passado por algo parecido e algumas histórias até me comoveram, porque eu dei um pingo de esperança para elas. Minha mãe hoje está incrível. Ela tem marcas da guerra, faz fisioterapia e acompanhamento, mas não dá para acreditar que ela se recuperou tão bem depois daquele AVC.

E sua vida na Suíça? Como está? Totalmente adaptado?
Nathan:
Eu me adaptei muito bem, melhor do que eu imaginava. Estou indo para o quarto ano na Suíça e hoje eu posso falar com propriedade que me adaptei bem. Estou arranhando o alemão aqui, está tudo caminhando bem. No time eu estou de titular desde a temporada passada, está tudo indo muito bem.

Nathan em ação pelo Palmeiras - Ricardo Nogueira/Folhapress - Ricardo Nogueira/Folhapress
Imagem: Ricardo Nogueira/Folhapress

Há diferenças de clima e de cultura bem grandes em relação ao Brasil, certo?
Nathan:
Isso não tem como mentir, o pessoal aqui é mais frio. Não tem a mesma hospitalidade e a alegria do brasileiro. É diferente. Em relação ao clima, há dois dias, estava nevando e tinha 50 cm de neve. Mas são coisas que a gente se adapta. Tenho amigos brasileiros aqui, a gente mata saudades sentando com eles, em um grupo de amigos legal que tem o mesmo estilo de vida. Os brasileiros têm estilo único de viver. Estou sempre com eles e tem até igreja brasileira aqui. Estou com minha filha e tudo mudou depois que ela nasceu, eu vivo os melhores dias da minha vida.

Você consegue acompanhar o Palmeiras ainda?
Nathan
: O fuso atrapalha, eu não consigo assistir a maioria dos jogos porque é de madrugada aqui para mim. Mas eu acompanho tudo por notícias. Tenho muitos amigos ainda no Palmeiras ainda e eu sempre torço por eles. Agora, na final da Libertadores, o jogo vai ser 21h no horário da Suíça e vai ser mais fácil para assistir.

O que você imagina para o seu futuro?
Nathan:
Eu tenho deixado na mão de Deus, mas acho que vou ficar aqui por um tempo, não penso em voltar para o Brasil. Estou indo bem aqui, me adaptei bem. Mas eu sonho em um dia voltar para o Brasil, porque não para o Palmeiras.