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O basquete sobrevive: Flamengo e São Paulo decidem Copa Super 8

São Paulo vence o Minas Tênis Clube e enfrenta o Flamengo na final da Copa Super 8 de Basquete  - Divulgação/NBB
São Paulo vence o Minas Tênis Clube e enfrenta o Flamengo na final da Copa Super 8 de Basquete Imagem: Divulgação/NBB

Gustavinho Lima*

23/01/2021 04h00

Flamengo e São Paulo decidem a Copa Super 8 neste sábado (23). No estilo mata-mata (em jogo único), o torneio reúne os oito mais bem classificados do NBB (Novo Basquete Brasil) ao final do primeiro turno.

A primeira final do basquete nacional desde o início da pandemia poderá ser vista às 16h, com transmissão da TV Cultura, ESPN e DAZN (plataforma de streaming). Além do título, o vencedor ganha uma vaga na Champions League das Américas (espécie de Copa Libertadores do basquete).

No basquete, diferentemente do futebol, há menos zebras. Não tem como um time jogar na defensiva ou ficar na retranca. Por isso, normalmente os melhores e mais bem treinados normalmente vencem os jogos.

Não houve surpresa até agora na temporada 2020/21. Dezesseis equipes realizaram 120 jogos, que foram divididos em sete sedes (Rio de Janeiro, Brasília, Mogi das Cruzes, e os ginásios de São Paulo, Paulistano, Pinheiros e Corinthians) a fim de minimizar as viagens, testando os atletas e membros da comissão periodicamente para reduzir o risco de infecção pelo coronavírus.

Os quatro primeiros colocados no primeiro turno foram os que tem maior investimento e melhor elenco.

O Minas Tênis Clube alcançou a ponta da tabela, seguido por Flamengo, Bauru e São Paulo. No clima tenso de eliminação do Super 8, a experiência dos treinadores pode ter feito a diferença, e a camisa pesou. Os quatro favoritos venceram e avançaram.

Nas semis, em dois bons duelos, os "times de camisa" garantiram a sua classificação.

"Ataque ganha jogo, defesa ganha campeonato". Os treinadores vitoriosos parecem estar atentos à frase célebre de Phil Jackson (11 vezes campeão da NBA como comandante).

Defendendo muito forte, o time rubro-negro deixou o Bauru em 65 pontos (3/20 nas bolas de três) e venceu por 72 a 65. O técnico Gustavo de Conti mostrou a força de seu elenco galáctico (luxo de ter Marquinhos e Balbi no banco) e foi muito inteligente no plano de jogo.

Bauru vinha levando vantagem por ter uma equipe muito veloz e jogar no chamado "small ball" (time sem pivôs de ofício). O time da Gávea, em vez de igualar a altura do adversário, usou uma formação grande, com dois pivôs e mais um ala alto. Garantiu 13 rebotes ofensivos, contra seis do Bauru, o que acabou sendo a chave do jogo.

Marquinhos é um dos melhores jogadores da história do NBB e certamente não está habituado a sair do banco. Mas na hora H usou toda sua categoria, matou duas bolas de três e foi decisivo.

Na outra semifinal, o Minas Tênis Clube, líder da competição, foi eliminado com certa tranquilidade pelos tricolores.

Com longa bagagem, o técnico Claudio Mortari soube passar a importância de um jogo decisivo. O treinador dirigiu equipes históricas, como o Sírio campeão mundial em 1979, com Oscar e Marcel, e, desde então, seus times continuam a ser lembrados pelo potencial ofensivo.

Mas o que se viu na semifinal foi um time aguerrido do outro lado da quadra. Marcando todos as posses com muita pressão na bola e forçando o adversário a ter que improvisar constantemente.

Bom técnico também tem sorte. E numa casualidade Mortari se viu obrigado a escalar o americano Dawkins do lugar do atual MVP (jogador mais valioso) Georginho de Paula, que torceu o tornozelo no início do confronto.

Ele e seu parceiro Bennet, outro armador de muita intensidade e um dos melhores defensores atuando no Brasil, foram responsáveis por desarticular a cabeça pensante do rival, o uruguaio Parodi, deixando o time mineiro com 70 pontos (78 a 70).

Georginho não foi eleito MVP à toa. Sobra fisicamente e mesmo, com o pé torcido, voltou e foi o cestinha, com 16 pontos. Novamente é candidato ao prêmio de melhor da temporada, desta vez brigando com seu companheiro de time Lucas Mariano, pivô muito versátil e dominante. Sob o comando de Mortari, ele recuperou seu melhor basquete e na semi anotou um expressivo duplo-duplo (12 pontos 12 rebotes).

A finalíssima promete equilíbrio entre dois times estrelados, com duelo especial entre os treinadores.

Dez excelentes atletas de cada lado. São Paulo tem Shamell, o maior cestinha de todos os tempos no NBB, e o Flamengo, o maior reboteiro, Olivinha. Pivôs que matam bola de três, de um lado Jefferson William e do outro Rafael Hettsheimer. Três chamados na última convocação da seleção brasileira de cada lado: Rafael Mineiro, Léo Demétrio e Jhonatan, pelos cariocas, e Georginho, Lucas Mariano e Renan, pelos paulistas.

De Conti era um dos auxiliares de Mortari na sua passagem pelo Paulistano em 2005. Seguiram caminhos distintos e têm estilos completamente diferentes, mas a personalidade necessária para lidar com o peso de suas equipes e de suas camisas.

Neste período longo e difícil de incertezas, mortes e negacionismo, o nosso basquetebol sobrevive.

*Gustavinho Lima é ex-jogador, atual coordenador do Corinthians Basquete e apresentador do Diquinta Podcast

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