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Zaidan: lições de 2019 podem abrir caminho para muitos títulos ao Palmeiras

Mano Menezes, técnico do Palmeiras, durante partida contra o Ceará - Bruno Ulivieri/AGIF
Mano Menezes, técnico do Palmeiras, durante partida contra o Ceará Imagem: Bruno Ulivieri/AGIF

25/11/2019 04h04

São boas as perspectivas do Palmeiras, e serão ainda melhores se os acontecimentos de 2019 forem bem compreendidos por seus dirigentes, especialmente pelos que decidem as coisas no futebol do clube. Em janeiro deste ano, quando os times brasileiros ainda só treinavam ou participavam de torneios curtos, a maioria dos que arriscavam algum palpite anunciava o favoritismo do Palmeiras no Paulista, no Brasileiro e na Libertadores.

O quase consenso tinha, é claro, motivos pertinentes: o título nacional em 2018, a capacidade de contratar reforços e de manter seus principais jogadores, a boa situação financeira, além das visíveis dificuldades dos concorrentes. Scolari, em sua primeira entrevista no ano, ainda antes da pré-temporada, disse que não iria priorizar competição alguma, ou seja, o time tentaria conquistar o que aparecesse pela frente.

No campeonato paulista, o Palmeiras parou nas semifinais, derrotado na disputa em pênaltis pelo São Paulo. Aquela primeira decepção não causou grandes transtornos; afinal, a meta primordial era o título sul-americano. A eliminação no estadual proporcionou um bom tempo para treinos, e o resultado foi notório: o time melhorou muito em relação ao que havia mostrado no Paulista. De abril à parada para a Copa América, nenhum time, no Brasileiro ou na Libertadores, jogava tão bem quanto o Palmeiras.

A melhor campanha na fase de grupos do torneio sul-americano e a liderança folgada no campeonato nacional comprovavam a superioridade, que parecia irreversível. Nesse período, o ataque deixou ser movido por chutões desde os zagueiros, a bola passava pelo meio-campo, onde Felipe Melo cuidava bem da marcação e dos lançamentos longos, deixando Bruno Henrique com mais liberdade para armar e finalizar, e Gustavo Gómez seguia confirmando o acerto de sua contratação.

Foi também um tempo de seguidos bons jogos de Dudu, que continua sendo o jogador mais importante e decisivo do time. A Libertadores, por ter jogos eliminatórios, deixa sempre alguma dúvida, já que uma única partida ruim pode largar um favorito pelo caminho. Era, pois, obrigatório relativizar o quanto o desempenho do Palmeiras na fase de grupos indicava o título.

No Brasileiro, porém, com o prêmio que o sistema de pontos corridos promete à consistência, a arrancada palmeirense provocou uma enxurrada de comentários que antecipavam a conquista. Veio, então, a Copa América: extemporânea, oblíqua, excessiva. E chegou presunçosa, parando tudo ao redor, empurrando os times para férias forçadas. A interrupção por tanto tempo de um campeonato é uma interferência considerável. Difícil demais que os times voltem jogando no mesmo nível em que estavam trinta dias antes.

E o Palmeiras, terminado o torneio de seleções, havia mudado outra vez; ou antes, recuara ao estilo e ao modo de jogar que pareciam abandonados depois do campeonato estadual. Reaparecia o lançamento balístico desde a defesa, obrigando a bola a ignorar o meio-campo e a voar em busca do aleatório. Jogadores importantes não estavam bem, a qualidade despencou, os resultados pioraram. Em 17 de julho, pelas quartas de final da Copa do Brasil, os palestrinos, novamente nos pênaltis, foram eliminados pelo Inter; em 27 de agosto, o golpe mais forte: a derrota para o Grêmio foi o fim da linha na Libertadores. Ao Palmeiras restava a possibilidade do título brasileiro.

Apareceu, porém, um obstáculo: com Jorge Jesus, Filipe Luís e Rafinha, o Flamengo mudava seus rumos. O treinador português reinventou as funções de Gerson, e descobrimos que o meia promissor é, de fato, ótimo meio-campista. Jorge Jesus arrumou lugar para Arrascaeta no time e tirou as amarras táticas que envolviam Gabriel e Bruno Henrique. A superioridade que, de abril a junho, víamos no Palmeiras mudou-se de mala e cuia para a Gávea.

Fora da Copa do Brasil, privado de atingir sua principal meta no ano—- o título na Libertadores—- e perdendo terreno no Brasileiro, o Palmeiras tirou Scolari e buscou Mano Menezes. Uma sequência de vitórias logo depois da chegada do novo técnico reanimou a esperança de o time ganhar o campeonato nacional; no entanto, ressurgiram as oscilações no desempenho e nos resultados, e o time se enroscou nos jogos mais difíceis. E o Flamengo não vacilava.

A campanha dos rubro-negros, aliás, é uma das lições úteis que os dirigentes palmeirenses podem tirar desta temporada, a saber, recursos fartos para contratações devem ser usados na busca de jogadores que elevem de fato a qualidade do time e que resolvam os problemas nos jogos mais complicados e decisivos. Não adianta simplesmente garantir que o elenco tenha três opções para cada posição. É preciso transformar o cofre cheio em time bom, não em elenco grande. E o Palmeiras tem, hoje, ótima estrutura e bom trabalho também na formação de jogadores.

Será melhor para o time e para as finanças do clube ter no banco os melhores juniores e até um ou outro juvenil, em vez de jogadores medianos. Mas o essencial é usar bem o dinheiro disponível, contratando três ou quatro que realmente aumentem o nível do time e a possibilidade de títulos. As decepções costumam ter o tamanho das expectativas contrariadas. Este ano, os palmeirenses tiveram, no futebol, muitas esperanças que foram frustradas; houve amofinações, aborrecimentos. Mas o clube tem o essencial para, por muitos anos, levantar as taças mais importantes.

O Palmeiras tem torcida grande, estádio excelente, receita alta e consistente, capacidade de investimento no futebol e ótima estrutura física. Os títulos são inevitáveis. Serão conquistados mais rapidamente e em maior número, é claro, se as lições deste ano forem entendidas.

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