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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Messi e sorte: Argentina na final com o que faltou ao Brasil

Alvarez comemora seu gol com Messi em jogo entre Argentina e Croácia pelas semifinais - REUTERS/Carl Recine
Alvarez comemora seu gol com Messi em jogo entre Argentina e Croácia pelas semifinais Imagem: REUTERS/Carl Recine

Colunista do UOL Esporte

13/12/2022 17h58

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O futebol é técnica, tática, físico e mental. Mas, antes de tudo, é um jogo. Caótico e com suas aleatoriedades.

A Croácia controlava a partida no primeiro tempo, com as mesmas virtudes do jogo contra o Brasil: posse confortável, tirando a velocidade. Ao contrário dos times e seleções no mundo que buscam protagonismo pela bola, os vice-campeões mundiais não trocam passes para infiltrar em uma defesa fechada. Rodam a bola para negá-la ao adversário e não sofrer.

Não sofria mesmo. Até porque a Argentina mexeu na escalação, com a entrada de Paredes, mas se defendia com duas linhas de quatro, mais Messi e Julián Álvarez na frente. Só que De Paul e Mac Allister voltavam pelos lados e, por dentro, Brozovic, Modric e Kovacic formavam superioridade numérica sobre Enzo Fernández e Paredes.

Mas o acaso, ou destino, o dado no tabuleiro ou só a sorte mesmo resolveu favorecer a albiceleste.

Enzo encaixou bom passe para Álvarez, porém a finalização do camisa nove foi fraca, ruim. Mas o goleiro Livakovic saiu para bloquear o chute e esbarrou no atacante. Pênalti, sim, mas totalmente acidental. Messi não deu chance para o azar, sabendo que o arqueiro espera a definição do canto. Bela cobrança no alto.

Com os croatas ainda grogues, Álvarez arrancou desde a intermediária, foi ganhando divididas de forma atrapalhada, tropeçando...e de repente estava na frente de Vlakovic para só empurrar para as redes.

2 a 0, fim da disputa. Porque a Croácia sabia que não tinha força física, muito menos poder ofensivo para reagir. Zlatko Dalic arriscou substituições ofensivas e cedeu ainda mais espaços. Lionel Scaloni trocou Paredes por Martínez, voltando a ter três zagueiros, e administrou como quis, até pela atmosfera favorável com a torcida, maioria absoluta no estádio, em êxtase.

O golpe final teve o toque de Messi como grande protagonista argentino. Jogada espetacular pela direita para cima do bom zagueiro Gvardiol, assistência para mais um de Álvarez.

3 a 0 com sobras e dando moral para a sexta final em busca do tri. Messi será exaltado, Álvarez o jovem heroi que barrou Lautaro Martínez e marcou dois. Scaloni tem méritos pela iniciativa de mexer no time conforme o adversário. O desempenho coletivo foi mesmo positivo.

Mas o que descomplicou a semifinal foi aquela aleatoriedade que faz o futebol ainda mais apaixonante. O Brasil foi para os pênaltis por conta de uma finalização que desviou em Marquinhos e fugiu de Alisson. Marcou um golaço que o rival sul-americano não passou nem perto de construir. Não teve, porém, um Messi iluminado, como gênio e liderança, muito menos a ventura que ajudou a decidir o jogo.

Melhor para a Argentina, pior para França ou Marrocos no domingo.