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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Palmeiras x Galo é reencontro com tudo pelo avesso, inclusive o favoritismo

Dudu comemora gol do Palmeiras contra o Atlético-MG na Libertadores - GUSTAVO RABELO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Dudu comemora gol do Palmeiras contra o Atlético-MG na Libertadores Imagem: GUSTAVO RABELO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

07/07/2022 07h56

Em 2021, o Palmeiras chegou à semifinal da Libertadores com uma atuação consistente nos 3 a 0 sobre o São Paulo no Allianz Parque. Na prática, porém, o bom desempenho era uma exceção em temporada conturbada que só veria a consagração (e salvação) com o bicampeonato sul-americano.

O Galo era o favorito para chegar à decisão em Montevidéu porque havia atropelado o River Plate nas quartas, depois de penar nas oitavas com o Boca Juniors. Além disso, liderava absoluto o Brasileiro que viria a conquistar depois de 50 anos e passava por cima também de quem aparecesse pela frente na Copa do Brasil.

Como fez a melhor campanha da fase de grupos, o Galo teve direito de decidir no Mineirão. O "gol qualificado", que não existe mais no regulamento, fez o Palmeiras avançar, apesar da superioridade do time de Cuca nos 180 minutos.

Agora o cenário é muito diferente para o reencontro nas quartas de final. Quase pelo avesso.

O Palmeiras constroi até aqui uma campanha irretocável e histórica. 100% de aproveitamento, 33 gols a favor em oito partidas, apenas três sofridos. A ressalva da fragilidade dos adversários ficou um pouco diluída com o Deportivo Táchira eliminando o Santos na Sul-Americana e, principalmente, o trabalho que o Emelec deu nas oitavas. Justo para o Atlético.

Abel Ferreira não gosta de favoritismo e talvez até torça pela recuperação de desempenho do adversário em praticamente um mês. Porque o discurso Davi x Golias não vai colar dessa vez. E o "Turco" Mohamed pode até montar um time mais reativo, já na ida no Mineirão. Confiando em Hulk e na rapidez das transições ofensivas, incluindo Ademir e Keno, desfalques sentidos em casa contra o Emelec.

Com a inversão do mando de campo, a menos que o time alviverde já abra vantagem em Belo Horizonte, não haverá razão para se fechar no Allianz Parque, como fez no ano passado e foi salvo pelo pênalti desperdiçado por Hulk. Agora o Palmeiras é ofensivo mesmo depois de abrir o placar, como demonstrou novamente nos 5 a 0 sobre o Cerro Porteño, fechando em oito o placar agregado. Com direito a golaço de bicicleta de Rony,

Em 2022, o Palmeiras é favorito. Hoje absoluto e será difícil mudar muito o quadro até a primeira semana do mês que vem. Ambos com elencos mais encorpados, incluindo os novos contratados. Caberá ao Galo o status de "zebra" e a pretensão de surpreender o bicampeão. Pode ser um trunfo, como foi para Abel Ferreira na disputa em que o próprio admitiu que teve mais sorte que juízo. Como será dessa vez?