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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

PSG de Mbappé pode decolar sem Neymar como Barcelona de Guardiola sem R10

Ronaldinho Gaúcho e Neymar se encontraram em Paris no início da semana - Reprodução/Instagram
Ronaldinho Gaúcho e Neymar se encontraram em Paris no início da semana Imagem: Reprodução/Instagram
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

01/07/2022 08h20

O maior time deste século é o Real Madrid de cinco Champions desde 2014, com e sem Cristiano Ronaldo. Mas o melhor e mais memorável, a referência dos últimos vinte anos, é o Barcelona de Pep Guardiola.

Personagem com história no clube, que comandou o time B e mostrou potencial. Assim que subiu na hierarquia, sucedendo Frank Rijkaard, uma das primeiras ações foi afastar Deco e Ronaldinho, que nas resenhas pela vida depois de se aposentarem exaltam o talento de Lionel Messi.

Mas também sempre lembram de algumas histórias com o argentino já timidamente "quebrando" na noite. Depois Guardiola se livrou de Samuel Eto'o, mas a troca por Ibrahimovic foi melhor para a Internazionale de José Mourinho,

O projeto Barcelona, de jogo coletivo e revolucionário para a época, encontrou seu ápice na temporada 2010/11. Com a base vinda das canteras e menos estrelas: Pedro e Villa, não Eto'o e Henry, foram os companheiros do Messi "falso nove" que explodiu em gols e magia.

O Paris Saint-Germain não tem a história do Barcelona. O projeto segue capenga, agora dando poderes demais a Kylian Mbappé, para que ele não fosse seduzido pelo Real Madrid.

Mas a notícia de que Neymar não faz mais parte dos planos é uma sinalização de que o comprometimento com a busca da tão sonhada Liga dos Campeões terá que ser total.

Neymar convive com lesões que são parte do ofício, mas há algum tempo não se comporta como um atleta de alto nível, que entrega 100% de profissionalismo. Festas, Carnaval, vida social e amorosa agitada...tudo que é problema particular do jogador, sim, mas se afeta o rendimento vira objeto de análise do desempenho esportivo.

A declaração de que um dia pretendia jogar pela MLS apenas para curtir férias mais longas, além de gerar revolta e nota de repúdio na liga norte-americana, deixou claro que o brasileiro não tem mais foco e paciência para a rotina de um atleta. E sabe-se lá qual será o comportamento depois da Copa do Mundo do Catar, em tese o último grande desafio de protagonismo na carreira.

Está claro que a estrela do novo PSG é Mbappé, assessorado por um Messi mais veterano e que também encara o Mundial em novembro como a cereja do bolo, mas apesar das dificuldades de adaptação ao novo clube, não desvia tanto o foco.

Para Neymar não há mais espaço, até porque o comportamento influencia os mais jovens, deslumbrados com a companhia de um ídolo, aquele que fazia parte do time no videogame. Arrasta para um caminho não recomendável.

Assim como R10 fazia com Messi e Guardiola detectou e cortou pela raiz. O PSG nem precisou de um treinador. O próprio companheiro, com quem dividiu vestiário, já conhece o efeito nocivo e limou. Soa cruel, uma "trairagem".

Mas Mbappé só quer vencer no clube como faz na seleção francesa e já entendeu que Neymar é uma "âncora" milionária que ajuda a manter o clube de Paris estacionado. Chegou a hora de decolar e o brasileiro "midiático", com sua cabeça dispersa, não pode fazer parte de planos tão ambiciosos.