PUBLICIDADE
Topo

André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Quem segura o "arrastão" de confiança do Palmeiras?

Murilo, jogador do Palmeiras, comemora seu gol contra o São Paulo - Marcello Zambrana/AGIF
Murilo, jogador do Palmeiras, comemora seu gol contra o São Paulo Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
só para assinantes
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

21/06/2022 10h07

Rogério Ceni armou bem o São Paulo para começar jogando o Choque-Rei no Morumbi, usando uma arma de Abel Ferreira para ganhar a Libertadores do Flamengo.

Assim como Dudu arrastou Filipe Luís para dentro e Mayke entrou nas costas de Bruno Henrique para servir Raphael Veiga no primeiro gol da final em Montevidéu, Patrick trazia o novamente improvisado Gustavo Gómez para o centro e Dudu sofria para acompanhar Reinaldo, o ala do sistema de três zagueiros são-paulinos.

Foi a ação ofensiva mais forte do time mandante, ainda que o gol de Patrick tenha sido gerado em um escanteio pela direita. Mas por ali também saiu a outra grande chance são-paulina, já no final do primeiro tempo, com Rodrigo Nestor, outro a circular pela esquerda, finalizando para fora.

Mas a esta altura o Palmeiras já dominava o jogo, chegando até com Piquerez na área adversária, finalizando na trave com Gabriel Menino, novidade na vaga de Zé Rafael, e Arboleda salvando chute de Gustavo Scarpa que já havia passado por Jandrei.

O time de Abel Ferreira, com Covid e representado pelo auxiliar João Martins à beira do campo, já tinha volume, imposição física, 54% de posse de bola e as mesmas dez finalizações de um São Paulo sempre mais perigoso com Calleri comandando o ataque.

Só que o tricolor do Morumbi definha no segundo tempo e tentou emular o Palmeiras do 1 a 0 na fase de grupos do Paulista, para administrar o resultado com solidez defensiva. As substituições não funcionaram, porque Pablo Maia não protegeu tão bem a retaguarda que teve Rafinha no lugar de Igor Vinicius e, no final, Miranda como mais um zagueiro. E Rigoni e Eder nas vagas de Nestor e Calleri mataram qualquer chance de contragolpe efetivo.

Abel/João Martins primeiro inverteu o eixo dos cinco que atacam a última linha adversária, com Mayke aberto na direita,Gómez de volta à zaga, Piquerez mais por dentro, Dudu invertendo de lado e Rafael Navarro mais fixo na área rival que Rony. Depois Breno Lopes à direita no lugar de Verón e, no final, arriscou tudo com Atuesta na vaga de Danilo e Wesley substituindo Piquerez.

Só não conseguia ser efetivo nas finalizações para ao menos pontuar contra um mandante forte no Brasileiro. Mas a conexão Scarpa, das seis assistências, com Gómez, o zagueiro-artilheiro de seis gols, funcionou mais uma vez no empate.

Antes o pontinho fora de casa seria celebrado e administrado no final, mas esse Palmeiras agora aciona o "arrastão da confiança". Uma força metafísica que faz acreditar até o fim e colocar no adversário o temor de ser derrotado. Como nos sete minutos em que o Atlético-GO passou de vencedor a goleado. Quando a placa apontou sete minutos de acréscimos, quem assistia o jogo, no estádio e na TV, pôde prever o desfecho.

Outra bola parada, mais um cruzamento e o toque fatal de Murilo no último ataque. Virada épica e justa do melhor time no clássico, no Brasileiro e do país. Um triunfo que abre três prontos na liderança nos pontos corridos e ainda cria um abismo anímico para os duelos pela Copa do Brasil. Como Ceni e comandados vão juntar os cacos em três dias, ainda mais depois da coletiva desesperada do treinador são-paulino?

Já no outro lado, João Martins revelou uma conversa entre jogadores e comissão antes do campeonato que serve para desanimar ainda mais os concorrentes: o Palmeiras quer o Brasileiro, para consolidar uma hegemonia e tirar o asterisco que havia no trabalho de Abel em relação aos pontos corridos. Ou seja, na hora em que as disputas de mata-mata afunilarem, o Alviverde não vai virar as costas para o Brasileiro desta vez.

Um desafio no aspecto físico, mas que a confiança e o ambiente positivo das vitórias sempre ajudam a atenuar. Foram eles, e uma clara mudança de mentalidade, que construíram a remontada histórica no Morumbi.

(Estatísticas: SofaScore)