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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Elenco do Flamengo é tigrão com técnicos e tchuchuca com adversários

Gabigol em ação pelo Flamengo durante partida contra o Inter, válida pelo Campeonato Brasileiro - ALVARO BUENO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Gabigol em ação pelo Flamengo durante partida contra o Inter, válida pelo Campeonato Brasileiro Imagem: ALVARO BUENO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

12/06/2022 10h34

Dorival Júnior chegou em Porto Alegre na manhã da estreia pelo Flamengo contra o Internacional e, sem ter sequer assistido a um treinamento, resolveu fazer média com Diego Alves, desafeto da passagem em 2018, e trouxe Filipe Luís de volta à lateral esquerda. Ainda resgatou Willian Arão e manteve David Luiz na zaga.

Só faltou escalar Diego Ribas de início, mas colocou no segundo tempo para perder o meio-campo de vez e esfriar a tentativa de reação. Tudo para agradar as lideranças de um elenco que deu mais uma mostra de seu poder nos bastidores ao fritar Paulo Sousa, que também deu motivos ao não conseguir armar um time competitivo e se complicou na gestão de grupo por não contornar a briga entre Diego Alves e o treinador de goleiros Paulo Grillo.

Logo após a vitória sobre o Goiás no Maracanã, Rodrigo Caio disse que o grupo do Flamengo tinha "opiniões fortes". De fato, personalidade não falta aos líderes do elenco, nem intensidade para discutir e se impor em reuniões que nem deveriam estar presentes, como no problema entre Sousa, Grillo e Alves.

O problema é que os "tigrões" dos bastidores viram "tchuchucas" em campo. Passivos e sem força para se impor diante dos adversários, que vencem na tática e na saúde. O Internacional atropelou no primeiro tempo e depois de recuar e permitir uma reação rubro-negra, com o gol de Andreas, Mano Menezes reoxigenou o time com as substituições e voltou a se impor no final.

Não há intensidade nem para pressionar a arbitragem absurda de Bráulio da Silva Machado, que deixou de marcar um pênalti claro na cotovelada de Mercado em Gabigol e anotou a favor do Colorado, mesmo com Matheuzinho apenas esbarrando em Pedro Henrique fora da área. Mais uma vez prejudicado no campeonato e a passividade é a norma, tanto de Bruno Spindel junto à CBF quanto dos jogadores para protestar.

Talvez seja mais vantajoso guardar energias para lutar pela manutenção dos privilégios no clube. Salários altos e em dia, direção e treinadores submissos às suas vontades. Como Dorival, já em sua estreia.

O Flamengo dá estabilidade aos jogadores e precariza o trabalho das comissões técnicas. A equipe, ao menos, deveria transformar a experiência e o entrosamento em vantagens no campo, mas continua precisando de muito esforço para ganhar os jogos e de quase nada para ser superado. A quinta derrota em 11 partidas do Brasileiro, colado na zona de rebaixamento.

Antes do jogo, as câmeras flagraram a conversa entre Mano e Dorival antes da partida. O treinador do Inter incentivou o colega com a seguinte frase: "Dá para melhorar, o meu (time) também estava esculhambado e deu".

Mano acertou na mosca. O Flamengo virou uma esculhambação, dentro e fora de campo. Sem Paulo Sousa para jogar toda a culpa, talvez alguns mais lúcidos tenham percebido que esse elenco grita e manda muito, mas em campo entrega pouco. Ou quase nada.