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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Elenco inclui Paulo Sousa, mas Flamengo segue sem perspectivas

Paulo Sousa, técnico do Flamengo, durante partida contra o Atlético-GO no pelo campeonato Brasileiro A 2022.  - Heber Gomes/AGIF
Paulo Sousa, técnico do Flamengo, durante partida contra o Atlético-GO no pelo campeonato Brasileiro A 2022. Imagem: Heber Gomes/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

10/04/2022 08h44

No gol de Bruno Henrique que decretou o empate por 1 a 1 em Goiânia e nas substituições, o elenco do Flamengo foi mais receptivo com Paulo Sousa. Incluiu o treinador na comemoração e os jogadores que saíram de campo fizeram questão de cumprimentar o comandante à beira do campo.

Sensível diferença de comportamento em relação aos últimos jogos. Mudou também a entrega em campo na tentativa de cumprir o plano de jogo do treinador. Esforço para correr para trás e criar na marra as oportunidades que poderiam ter decretado a virada sobre o bom Atlético-GO de Umberto Louzer.

O suficiente para terminar a partida com 56% de posse e 12 finalizações, porém apenas três no alvo. A rigor, o Flamengo foi o de quase sempre desde a saída de Jorge Jesus em 2020: perde gols na frente e falha atrás. Pedro entrou para finalizar no travessão e desperdiçar grande oportunidade de cabeça, livre dentro da área, nos últimos minutos.

Andreas Pereira errou passe, Léo Pereira estava mal posicionado como lateral-zagueiro pela esquerda e Dudu serviu Wellington Rato no gol do time da casa. Se na fase defensiva o time carioca parece mais organizado, mesmo com Willian Arão na zaga pela emergência da lesão no aquecimento de Gustavo Henrique, quando sofre contragolpes é um sufoco.

E assim seguirá por algum tempo. Enquanto Marcos Braz for o vice de futebol, a menos que haja uma catástrofe, como uma eliminação precoce na Copa do Brasil, Paulo Sousa seguirá no comando técnico. Porque demití-lo seria assinar um atestado de incompetência nas contratações de treinadores, sendo Jorge Jesus o golpe de sorte como exceção.

Agora não faz tanta diferença também. Não há mais tempo para treinar. A preparação acabou com os dez dias de treinamentos para o primeiro Fla-Flu da decisão carioca. Desde então, o time joga a cada três ou quatro dias. O sucesso ou fracasso está muito mais nos pés e na alma de um grupo questionado, que terá que lutar e decidir na qualidade individual para compensar as limitações técnicas, táticas, físicas e mentais.

A equipe rubro-negra já abraça seu treinador, mas segue desconectada do bom futebol e sem perspectivas. Ainda assim, diante da expectativa de nova derrota no Estádio Antonio Accioly, que seria a terceira consecutiva para o Dragão, o empate deixou a impressão de saldo positivo. A dura realidade é que o Flamengo ganhou um ponto na estreia do Brasileiro.