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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Fracasso do Flamengo em 2021 será o maior aliado de Paulo Sousa

Paulo Sousa é apresentado no Flamengo - Reprodução Fla TV
Paulo Sousa é apresentado no Flamengo Imagem: Reprodução Fla TV
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

11/01/2022 07h58

Paulo Sousa foi apresentado oficialmente no Flamengo e impressionou positivamente pelo conhecimento do elenco, dos princípios fundamentais do futebol atual (tempo e espaço) e pela cobrança de compromisso desde o primeiro dia.

Perfeito. Mas para quem tem memória, os três últimos treinadores rubro-negros, ou os três pós-Jorge Jesus, também falaram o que torcida e imprensa queriam ouvir, dentro do contexto da época. Domènec Torrent reforçou a ideia de futebol ofensivo, Rogério Ceni prometeu resgatar conceitos aplicados por Jesus e Renato Gaúcho garantiu que o vestiário teria paz para os jogadores voltarem a render.

Os três também foram elogiados no início dos trabalhos. Veículos relataram que os atletas exaltavam a qualidade dos treinos dos dois primeiros e a alegria do elenco para trabalhar com o último. Para no final, já perto das demissões, descreverem o ambiente mais tenso, com questionamentos aos mesmos métodos e práticas.

No fundo, Paulo Sousa precisa do mesmo que os antecessores dispensados e qualquer profissional no futebol. Os dois "R's mágicos": respaldo e resultados.

E é aí que o fracasso da equipe em 2021, sem nenhum titulo relevante, torna-se o maior aliado do treinador português. Porque sem taças não há cadeira cativa no time titular, nem estrela interferindo nos horários dos treinamentos. Muito menos a percepção de que apenas o talento, sem trabalho duro, garante as conquistas.

O clima e a "fome" podem ser parecidos com 2019. Sousa já dá sinais de que ele e sua comissão terão as chaves do Centro de Treinamento. Falou em "treino invisível", permanência do jogador no CT para treinamentos em dois períodos, quando for possível. Também reforçou o óbvio: com temporada desgastante, curta e com ausências por convocações, o elenco vai rodar muito.

Tudo perfeito no discurso. Veremos na prática. Porque cobrança sem resultados no Brasil é sentença de morte. Ou alguém imagina Jorge Jesus com toda aquela autoridade em 2019 se chegasse em agosto com o time eliminado na Copa do Brasil e também da Libertadores, em caso de fracasso contra o Emelec nas oitavas?

Cabe à direção dar respaldo. E aí Paulo Sousa tem uma vantagem sobre os antecessores: como foi contratado mesmo com a possibilidade de fechar com Jesus, a tendência é Landim, Braz e Spindel apoiarem o técnico até o limite, ou mesmo insistirem além da pressão forte que possa ocorrer através de imprensa, redes sociais e influenciadores.

O problema é se tudo não der muito certo e Jesus seguir livre no mercado, em um período "sabático" e mandando sinais, pela imprensa portuguesa, de que pretende voltar. Agora há muitos orgulhosos, até chamando o técnico campeão brasileiro e da Libertadores em 2019 de "traidor", mas se o time estiver mal, tropeçando no Carioca e na Libertadores, além de uma eventual derrota para o Galo na Supercopa do Brasil, o contexto muda radicalmente.

Vejamos o que Paulo Sousa consegue nesse universo muito particular chamado Flamengo. O começo é promissor, mas futebol não se faz com palavras ao vento.