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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Tostão que me perdoe, mas o treinador é fundamental

Jurgen Klopp e Pep Guardiola conversam durante a partida entre Manchester City X Liverpool pelo Campeonato Inglês - Matthew Ashton/AMA/Getty Images
Jurgen Klopp e Pep Guardiola conversam durante a partida entre Manchester City X Liverpool pelo Campeonato Inglês Imagem: Matthew Ashton/AMA/Getty Images
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

29/11/2021 06h36

Leio Tostão duas vezes por semana há quase duas décadas. Nem sempre concordo com o que o ex-jogador escreve, mas é leitura obrigatória.

Em sua coluna mais recente na Folha de São Paulo, no domingo (28), ele afirmou novamente que os treinadores são superestimados e não determinam vitórias e derrotas.

Eis um dos grandes pontos de discordância deste respeitoso leitor. O técnico hoje é o elemento mais importante no departamento de futebol de um clube. Ainda que não tenha plenos poderes e faça parte de uma grande engrenagem.

O profissional precisa dominar diferentes sistemas e propostas e adaptá-las ao modelo de jogo. Extrair versatilidade e estimular a leitura dos atletas para que entendam os contextos diversos e se adequem. Saber criar mecanismos coletivos para que seu time crie espaços ou os negue aos oponentes. Entender as estatísticas e transformá-las em evolução. Ter jogadas ensaiadas para qualquer partida e também de acordo com as fragilidades do adversário, com bola parada ou rolando.

Também gerir a comissão técnica, se comunicar com a torcida através de imprensa, mobilizar todos no clube pelo discurso e por ideias claras. Entender a cultura e as ambições da agremiação que representa, de acordo com a própria história e a capacidade atual de investimento.

Há os criadores, como Guardiola, Klopp, Bielsa, Rangnick, e os administradores, como Zidane, Ancelotti e Allegri. O ideal é ter um pouco dos dois perfis, como Tuchel vem se mostrando capaz no Chelsea. Ou seja, o futebol caminha para exigir o profissional completo.

Porque ele é capaz de interferir no resultado. Seja no conjunto dos pontos corridos, seja nos grandes jogos. Potencializando talentos, corrigindo defeitos, preparando armadilhas para os rivais. Não garante vitórias e títulos sempre, pode ser derrotado eventualmente por um menos preparado, porém mais feliz em determinadas circunstâncias. Mas procurar o mais capacitado é obrigação, sem acreditar em velhas fórmulas que, salvo raríssimas exceções, não funcionam mais.

Nem mero gestor de vestiário, nem o teórico que sofre para implementar as ideias na prática. Conteúdo, gestão, sensibilidade, inteligência e, se possível, carisma. Na lei do mercado, muitas vezes injusta, quem pode pagar mais que invista no melhor. Ele ajuda a ganhar partidas e campeonatos.

Por isso, que Tostão me perdoe, mas o treinador é fundamental.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL