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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Críticas a Sylvinho desprezam mudança de contexto no Corinthians

Sylvinho, técnico do Corinthians, em partida contra o Atlético-GO - Marcello Zambrana/AGIF
Sylvinho, técnico do Corinthians, em partida contra o Atlético-GO Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

23/10/2021 07h54

Quando se aventou a possibilidade de recuperação do Corinthians no Brasileiro, dois trunfos eram considerados de importância quase equivalente: a contratação de jogadores que mudariam o patamar da equipe de Sylvinho no aspecto técnico e o calendário apenas com a competição de pontos corridos, podendo usufruir de semanas "cheias" para treinamentos.

O time venceu o Palmeiras em Itaquera no sábado, dia 25 de setembro e teve a última semana sem jogos no meio. A partir daí, empate com o Bragantino por 2 a 2, reagindo no final da partida fora de casa diante de um duro adversário até para os principais candidatos ao titulo. Depois vitória sobre o Bahia por 3 a 1 na terça, dia 5 de outubro.

Não por acaso, o "calvário" começou na segunda partida sem o tempo que tinha antes para recuperação e treinamentos. Derrota por 1 a 0 para o Sport em Recife. Na sequência, vitória sofrida em casa sobre o Fluminense e novo revés no clássico contra o São Paulo no Morumbi. Três partidas em nove dias. Não acontecia desde julho.

Foi o suficiente para o mundo cair sobre o jovem treinador. Sim, o time oscilou e a evolução no desempenho precisa ser retomada. Principalmente aumentar a intensidade no trabalho sem bola do meio-campo. Problema até previsível, já que Cantillo, Giuliano e Renato Augusto são mais técnicos e sofrem em disputas mais físicas. Com partidas seguidas, vem o desgaste.

Também as lesões musculares, como a que Willian sofreu, de grau dois no músculo posterior da coxa esquerda. Exige um tempo de recuperação mais longo. Logo a principal contratação, não só pelo simbolismo da volta para casa de um jogador formado no clube, mas também pela técnica e pelo nível de competição, já que disputou a última Premier League pelo Arsenal.

Desfalque considerável. Perda de mais uma "vantagem" de Sylvinho. Natural a queda de produção. Mas como se criou uma expectativa de ultrapassar o rival Palmeiras na tabela e buscar uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores, a sétima colocação agora é vista como "fracasso".

Como se o encaixe de novos atletas fosse automático. Sim, o calendário mais apertado é problema para todos. Justamente por isso o Corinthians não pode mais ser analisado com a régua de antes. Ou até pode nesta 28ª rodada, já que, com as semifinais da Copa do Brasil no meio da semana, o time teve mais tempo para trabalhar.

O clima, porém, é de crise, inclusive com rumores de demissão do treinador e críticas de ex-jogadores na própria TV do clube. O adversário é complicado: Internacional, no Beira-Rio. Buscando recuperação depois da derrota para o Palmeiras e manutenção da sexta colocação, à frente do próprio Corinthians pelo saldo de gols.

Não será simples, mas o retorno de Fagner pela direita é boa notícia. Gustavo Mosquito pode ser opção interessante de velocidade para explorar os espaços que o time gaúcho, atuando em casa, deve ceder. Roger Guedes é atacante móvel, que precisa ser mais acionado pelos meias na execução do 4-1-4-1 de Sylvinho.

O mais importante é entender a mudança de contexto no Corinthians. Sem imediatismo e análise apenas sobre o resultado. Até porque a posição na tabela está dentro da projeção com elenco reforçado. Ainda faltam 11 rodadas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL